Sunday, February 03, 2008

A doçura da inocência

"Cuando crezcas, descubrirás que ya defendiste mentiras, te engañaste a ti mismo o sufriste por tonterías. Si eres un buen guerrero, no te culparás por ello, pero tampoco dejarás que tus errores se repitan" [Pablo Neruda - em O Carteiro e o Poeta]

"Escrevia para mudar o mundo, escrevo para dizer que ele me mudou."
[Anônimo]


Primeiro, eu não escrevo para ninguém em particular. Se assim o desejasse, o faria diretamente, por carta, pessoalmente ou por email mesmo. Em segundo, eu escrevo pela necessidade. Minha necessidade de tentar entender as coisas. Se assim fosse diferente, eu seria apenas mais um tapado que diz que vive. Não vou citar a frase de Descartes mais uma vez, mas pense nela. Eu quero falar da inocência. Segundo a Sahaja Yoga, o primeiro dos chackras, no corpo sutil; segundo alguns um sentimento bobo, existente apenas nas crianças; segundo outros, um sentimento bom, existente nas mesmas. Contudo, todos nós somos inocentes. Em um ou outro aspecto, somos. Eu estou enterrando muitos mortos a uns três meses. Coisas que achava que eram a verdade para mim, por exemplo. A filosofia de um monge, como eu dizia, viver, mas viver feliz. Notei que isso não era verdade no mundo. Pensava que tínhamos uma produção capitalista tal que não atingiamos níveis maior de desenvolvimento porque queriamos nossas matas vivas, nossos pássaros voando, nossas crianças brincando no parque... mas nunca isso foi alvo de uma decisão racional. Pensei que faziamos esse tipo de decisão em nível pessoal de nossas vidas, mas também não era verdade. A verdade é que aquele que não alcançou niveís mais altos de sucesso é porque é incopetente. E é essa a visão que me passaram. Essa é a visão que fere a minha inocência de acreditar em algo que não era verdade para todos, não digo, sequer a maioria.

O que importa para a nossa sociedade mediocre não é a felicidade, esse sentimento puro de inocência de acreditar que podemos viver com pouco e bem, mas sim o status, o poder, a cobiça de ser 'melhor' que os demais a sua volta. Nunca pensei assim. Sabia que havia gente assim. Sabia que existe gente que gosta de demonstrar sua vaidade, essas, muitas vezes maior que sua própria cabeça e seus poucos neurônios. Gente que gosta de uma cirugia plática não para si, mas para os outros; gente que gosta de ter joias não para embelezar-se, mas para mostrar aos outros; gente que tem um companheiro, ou uma companheira não porque gosta, mas porque não quer ser visto sem ninguém; gente que vai a missa, ouve tudo o que o padre prega, mas ao sair da igreja, fala blasfêmias, injurias, heresias a igreja ou a Cristo.

Eu acho que era inocente de acreditar que isso não era verdade a todos, mas é... isso não é decepção, seria se eu me frustasse totalmente com essa idéia, mas não estou. Fazendo um paralelo, na Sombra do Vento, o menino se decepciona com Clara, porque acredita que eles dariam certo, isso é decepção, quando você se frusta. Acho que não é o caso.

Por fim, termino dizendo que, apesar de essa ter sido minha verdade, de eu tido ouro, mas rejeitei porque acreditava que viver com prata era tão ou melhor que, eu não sei se mudo meu ponto de vista... talvez não o siga como profissão de fé, mas que não deixe de acreditar totalmente, pois não há uma verdade absoluta ou uma felicidade plena para todos, só há o que acreditamos, mas que essa idéia de vaidade não pode ser o alvo de tanta felicidade assim para um mundo todo... Não há graduados nessa escola, só uns que sabem um pouco mais que os outros, não sei se sei mais que os demais, sou humilde de pensar que sou um aluno, uma minhoca que aprendeu a brilhar um pouquinho mais... esse é também meu último post, perdeu meu sentido de escrever aqui, apesar da audiência boa, apesar de ser bom escrever... é que algumas coisas perderam o sentido para mim, porque assim eu o quis - uma nova era, eu vivo.

O Blog não sai do ar, é a única coisa que não quero enterrar a sete palmos do chão, não enterro o que eu disse, não nego o que eu disse, apenas não quero dizer mais, que ele fique aqui, a mostra de todos a fim de que não só poetas são inocentes, mas também gente comum e cotidiana... a inocência é doce... doce...