Excelente.
Sunday, September 30, 2007
Alea jacta est
"Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada."
[Clarice Lispector]
Mais alguns papéis sobre o Hemingway de Bartolomeu me diziam mais coisas ele... mas como dissera, minha mente de investigador estava longe de conseguir fixar-me nas provas e nos autos do processo, tinha problemas maiores a tratar, tinha que ter com minha mulher uma conversa séria...
Saira para um café para tomar um chá... pedi um de casca de bergamota, depois um de maça, outro de limão siciliano... meu estômago, enojado de tanta descrença, de tanta água, estava ligeiramente 'afogado' nos meus pensamentos apodíticos... mas tinha fé na mudança, tinha fé que tudo era para ser ou que deveria ser, num futuro próximo, bem melhor do que era... ilusão.
Perdia para Bartolomeu. Dos três a um, passara a três a dois, a iguais e depois perdera o game. Se tudo tem um começo, tudo parece ter um fim, diz a lógica, dado a necessidade de reiniciar novas tarefas e planos... outra ilusão. A lógica me abandona. A sorte me abandona. As pessoas me abandonam, zombam de mim, depois se fazem de indiferentes, ignoram-me novamente, e reinicia outro ciclo de desespero e pensamentos antigos... saio do café, e a única lembrança que tenho depois é um carro me atropelando, pegando-me em cheio...
- Leonard?! Leonard?! Sou eu, Rubens, seu amigo...
A imagem de Rubens veio-me a mente como algo angelical. Algo como o fim de tudo. O fim de um sofrimento intenso.
- O que aconteceu?!
- Atropelamento. Quebrou a perna esquerda, ligamentos quebrados na altura do joelho e... a rib bro... quebrada... o que é rib?
- Costela.
- Isso, costela, está aqui em francês, do outro lado da plaqueta.
- Bem, e quanto tempo fico aqui?!
- O necessário... quase duas semanas...
- Duas semanas?! E como vou trabalhar?! E minha mulher?!
- Bem, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é... provavelmente, a bebida lhe largou sobre um carro, e, agora, sobre a maca...
- Não sei o que dizer...
- Não diga nada, nessas horas, o melhor que se tem a fazer é ficar calado, escutar, e viver feliz. O segredo da felicidade é não pensar determinadas vezes. Isso estraga o processo.
- Preciso de caneta e papel. Preciso escrever. - Dizia eu...
- Ok, vou providenciar.
- Rubens, preciso de sua ajuda, quero sua total confiança em mim, preciso que converses com Bartolomeu, preciso que faça um 'serviço sujo'...
- Com aquele carcamano?! De novo, você não larga disso nunca?! Deixa isso para lá...
- Preciso, Rubens! São pessoas ideiais para a leitura de meus livros... isso é coisa rara hoje em dia!
- Mon dieu... o que quer que eu faça?! E por que disseste "pessoas", no plural?!
- Errrr... deixa eu te contar: tem uma mulher chamada Katarine... ela é a outra pessoa que preciso manter contato. Ela é tão misteriosa quanto Bartolomeu, quero que os dois se conheçam, preciso também dos feed-backs de ambos... preciso que converse com essa Lady e me traga alguns papeis de Bartolomeu...
- Conversar com mulheres é um prazer, mas 'trazer papeis'?! Roubar?! Serviço de espionagem?!
- Errrrr... bem... éeeee... deixa eu te expli...
- Ótimo! Fechado! Eu também quero saber o que aquele desgraçado tem que eu não tenho. Filho da mãe, tinha um Royal Straight Flush e ficou calado!
Foi impressionante como Rubens aceitara minha atitude rasteira de roubo de correspondência... mas, tudo pelo conhecimento. Como dizia Bartolomeu, as decisões mudam de acordo com o ambiente...
- Claro! Se estiver certo, ele tem alguma coisa que você não tem! Talvez, alguma manha nova, esses carcamanos sabem de uma série de novas técnicas...
- Perfeito, Leonard! Gosto que esteja do meu lado, vamos acabar com eles...
- Rubens, espere... - Ia eu me levandando a fim de ele me escutar no portla da porta do quarto.
- Minha mulher... visite-a no Hotel de Clement... ela já chegou?!
- Ontem,
- Ontem?!
- Sim, ontem.
- Que dia é hoje?!
- Dia 17. Dia de treinos para a classificação.
- Perdi o baile?!
- Hahahahah... se perdeu! Dancei até com vossa esposa! Heheheheh... Bartolomeu dançou também, se deseja saber, odeio aquele cara, deve ter um imã para mulheres e o jogo!
- Faça-me o favor?! Peça uma linha telefônica para meu quarto. Preciso de aparelhos de escuta acoplados. Isso. Telefone, escuta, papel, caneta e... bem... se eles tiverem suco de laranja concentrado, eu gostaria de um a cada hora...
- Eu entendo quase tudo, mas o suco... bem... vou providenciar... quer uma TV?! Isso é meio difícil, mas consigo com o Clement, ele sabe alguém das equipes que possa instalar um terminal de vídeo para você acompanhar a corrida...
- Não, quero que você me faça um outro favor: pegue meu suit no meu quarto, no apartamento de Clement. Há 3.500 francos no bolso direito. Aposte tudo no Trintignant, ele é francês...
- 3.500 francos franceses num piloto francês?! Está sob efeito de algum remédio?! Deixa eu ver aqui...
- Não, Rubens, sem brincadeiras! Aposte nele!
- O Tony Brooks está na pole position, você quer apostar em alguém sem expressão alguma?! Aposte no Fangio!
- Faça isso, Rubens, por favor, sim?!
- Ok... dá pena isso, se me emprestasse, eu poderia pagar meu carro e poderia reembolsar você com juros.
- Metade do prêmio é seu, se eu ganhar, certo?!
- Fala isso porque vai perder! Bem, farei os pedidos. Cuide-se.
Perdi alguns detalhes importantes do dia 16. Agora, eram 4 horas da tarde do dia 17. Quase o dia 18. O que será que aconteceu?! E minha mulher?! Ela que me mandou apostar num francês... seguia os seus 'conselhos'... tinha agora que acompanhar de longe, bem longe de Bartolomeu e Kathy, o desenrolar da estória...
Tony Brooks... será que aquele inglês iria me trair, vencendo?! Será que o francês ganha para mim?! Os jornais diziam que estava contra a maré:
"Monte-Carlo, Monaco - 17 Mai de 1958: Aujourd'hui, nous a eu la grande Fête de la vitesse, la Formule 1. Le jour de qualifiez a ête très bon et les équipes a présenté une grand dispute entre eux. En outre, il y aura une belle dispute entre les nationalités anglaises et françaises pendant la course. Par exemple, le pilote anglais Tony Brooks a ête plus vité que les autres pilotes, avec une recouvrement de 1'39.8. Il sera le pole position. La BRM du français Jean Behra a ête le deuxième et Jack Brabham a ête le troisième du Grid. Les autres pilotes plus vitesse sont ête: 4me, Roy Salvadori (anglais); avec Cooper-Climax; 5em, Maurice Trintignant (français), avec une Cooper-Climax; 6em, Mike Hawthorn (anglais), avec une Ferrari.
Les Ferraris sont la grand atraction de la Formule, tout les italiens vient de Modena pour voir "La Scuderia", comment les tifosi adorent.
Mais les pilotes italiens n'a pas eu un bon jour. Luigi Musso (Ferrari) et Giorgio Scarlatti (Maseratti) sont dixième et quatorzième du Grid.
Se tout las prévisions se maintiennent, l'anglais Tony Brooks (Vanwall) vas gagner. Il a ête deuxième en le Grand Prix de Monaco, en 1957, seulement derrière de le grand pilote argentine Juan Manuel Fangio qui n'est pas en cet Grand Prix. Mais, Trintignant aussi a gagné en 1955. Alors, alea jacta est..."
Saira para um café para tomar um chá... pedi um de casca de bergamota, depois um de maça, outro de limão siciliano... meu estômago, enojado de tanta descrença, de tanta água, estava ligeiramente 'afogado' nos meus pensamentos apodíticos... mas tinha fé na mudança, tinha fé que tudo era para ser ou que deveria ser, num futuro próximo, bem melhor do que era... ilusão.
Perdia para Bartolomeu. Dos três a um, passara a três a dois, a iguais e depois perdera o game. Se tudo tem um começo, tudo parece ter um fim, diz a lógica, dado a necessidade de reiniciar novas tarefas e planos... outra ilusão. A lógica me abandona. A sorte me abandona. As pessoas me abandonam, zombam de mim, depois se fazem de indiferentes, ignoram-me novamente, e reinicia outro ciclo de desespero e pensamentos antigos... saio do café, e a única lembrança que tenho depois é um carro me atropelando, pegando-me em cheio...
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- Leonard?! Leonard?! Sou eu, Rubens, seu amigo...
A imagem de Rubens veio-me a mente como algo angelical. Algo como o fim de tudo. O fim de um sofrimento intenso.
- O que aconteceu?!
- Atropelamento. Quebrou a perna esquerda, ligamentos quebrados na altura do joelho e... a rib bro... quebrada... o que é rib?
- Costela.
- Isso, costela, está aqui em francês, do outro lado da plaqueta.
- Bem, e quanto tempo fico aqui?!
- O necessário... quase duas semanas...
- Duas semanas?! E como vou trabalhar?! E minha mulher?!
- Bem, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é... provavelmente, a bebida lhe largou sobre um carro, e, agora, sobre a maca...
- Não sei o que dizer...
- Não diga nada, nessas horas, o melhor que se tem a fazer é ficar calado, escutar, e viver feliz. O segredo da felicidade é não pensar determinadas vezes. Isso estraga o processo.
- Preciso de caneta e papel. Preciso escrever. - Dizia eu...
- Ok, vou providenciar.
- Rubens, preciso de sua ajuda, quero sua total confiança em mim, preciso que converses com Bartolomeu, preciso que faça um 'serviço sujo'...
- Com aquele carcamano?! De novo, você não larga disso nunca?! Deixa isso para lá...
- Preciso, Rubens! São pessoas ideiais para a leitura de meus livros... isso é coisa rara hoje em dia!
- Mon dieu... o que quer que eu faça?! E por que disseste "pessoas", no plural?!
- Errrr... deixa eu te contar: tem uma mulher chamada Katarine... ela é a outra pessoa que preciso manter contato. Ela é tão misteriosa quanto Bartolomeu, quero que os dois se conheçam, preciso também dos feed-backs de ambos... preciso que converse com essa Lady e me traga alguns papeis de Bartolomeu...
- Conversar com mulheres é um prazer, mas 'trazer papeis'?! Roubar?! Serviço de espionagem?!
- Errrrr... bem... éeeee... deixa eu te expli...
- Ótimo! Fechado! Eu também quero saber o que aquele desgraçado tem que eu não tenho. Filho da mãe, tinha um Royal Straight Flush e ficou calado!
Foi impressionante como Rubens aceitara minha atitude rasteira de roubo de correspondência... mas, tudo pelo conhecimento. Como dizia Bartolomeu, as decisões mudam de acordo com o ambiente...
- Claro! Se estiver certo, ele tem alguma coisa que você não tem! Talvez, alguma manha nova, esses carcamanos sabem de uma série de novas técnicas...
- Perfeito, Leonard! Gosto que esteja do meu lado, vamos acabar com eles...
- Rubens, espere... - Ia eu me levandando a fim de ele me escutar no portla da porta do quarto.
- Minha mulher... visite-a no Hotel de Clement... ela já chegou?!
- Ontem,
- Ontem?!
- Sim, ontem.
- Que dia é hoje?!
- Dia 17. Dia de treinos para a classificação.
- Perdi o baile?!
- Hahahahah... se perdeu! Dancei até com vossa esposa! Heheheheh... Bartolomeu dançou também, se deseja saber, odeio aquele cara, deve ter um imã para mulheres e o jogo!
- Faça-me o favor?! Peça uma linha telefônica para meu quarto. Preciso de aparelhos de escuta acoplados. Isso. Telefone, escuta, papel, caneta e... bem... se eles tiverem suco de laranja concentrado, eu gostaria de um a cada hora...
- Eu entendo quase tudo, mas o suco... bem... vou providenciar... quer uma TV?! Isso é meio difícil, mas consigo com o Clement, ele sabe alguém das equipes que possa instalar um terminal de vídeo para você acompanhar a corrida...
- Não, quero que você me faça um outro favor: pegue meu suit no meu quarto, no apartamento de Clement. Há 3.500 francos no bolso direito. Aposte tudo no Trintignant, ele é francês...
- 3.500 francos franceses num piloto francês?! Está sob efeito de algum remédio?! Deixa eu ver aqui...
- Não, Rubens, sem brincadeiras! Aposte nele!
- O Tony Brooks está na pole position, você quer apostar em alguém sem expressão alguma?! Aposte no Fangio!
- Faça isso, Rubens, por favor, sim?!
- Ok... dá pena isso, se me emprestasse, eu poderia pagar meu carro e poderia reembolsar você com juros.
- Metade do prêmio é seu, se eu ganhar, certo?!
- Fala isso porque vai perder! Bem, farei os pedidos. Cuide-se.
Perdi alguns detalhes importantes do dia 16. Agora, eram 4 horas da tarde do dia 17. Quase o dia 18. O que será que aconteceu?! E minha mulher?! Ela que me mandou apostar num francês... seguia os seus 'conselhos'... tinha agora que acompanhar de longe, bem longe de Bartolomeu e Kathy, o desenrolar da estória...
Tony Brooks... será que aquele inglês iria me trair, vencendo?! Será que o francês ganha para mim?! Os jornais diziam que estava contra a maré:
"Monte-Carlo, Monaco - 17 Mai de 1958: Aujourd'hui, nous a eu la grande Fête de la vitesse, la Formule 1. Le jour de qualifiez a ête très bon et les équipes a présenté une grand dispute entre eux. En outre, il y aura une belle dispute entre les nationalités anglaises et françaises pendant la course. Par exemple, le pilote anglais Tony Brooks a ête plus vité que les autres pilotes, avec une recouvrement de 1'39.8. Il sera le pole position. La BRM du français Jean Behra a ête le deuxième et Jack Brabham a ête le troisième du Grid. Les autres pilotes plus vitesse sont ête: 4me, Roy Salvadori (anglais); avec Cooper-Climax; 5em, Maurice Trintignant (français), avec une Cooper-Climax; 6em, Mike Hawthorn (anglais), avec une Ferrari.
Les Ferraris sont la grand atraction de la Formule, tout les italiens vient de Modena pour voir "La Scuderia", comment les tifosi adorent.
Mais les pilotes italiens n'a pas eu un bon jour. Luigi Musso (Ferrari) et Giorgio Scarlatti (Maseratti) sont dixième et quatorzième du Grid.
Se tout las prévisions se maintiennent, l'anglais Tony Brooks (Vanwall) vas gagner. Il a ête deuxième en le Grand Prix de Monaco, en 1957, seulement derrière de le grand pilote argentine Juan Manuel Fangio qui n'est pas en cet Grand Prix. Mais, Trintignant aussi a gagné en 1955. Alors, alea jacta est..."
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[L'anglais Tony Brooks - Vanwall]
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[Le français Maurice - Cooper-Climax]
Será que eu ganharia algo?! Será que o placar está a meu favor?! O fim da notícia dizia tudo na frase latina alea jacta est, a sorte está lançada...
Era preciso esperar um pouco Rubens chegar com novas informações... o dia 18 de Maio se aproximava, com cautela e euforia...
"Weiss tem uma fraqueza que todos os escritores possuem para ter o que escrever. Mas confesso que mesmo os que não possuem capacidade de escrever belos textos tem também a fraqueza diante de certas pessoas, para mim, a minha amada; para ele, Emmanuelle. Até as mulheres que vejo, tendo buscar as características de minha amada. Curiosamente, notei, no baile do Príncipe que havia uma mulher de beleza singular, que, confesso, tinha feições características e modo de se vestir semelhante a CVM... O primeiro contato apenas se restringiu a isso e nada além. Noto que poderia ser uma boa possibilidade de ter uma nova chance em minha vida, a chance de me libertar, assim como falei da boca para fora para Weiss. Tenho dificuldade de por em prática o que penso, mesmo sendo boas idéias... esse é o maior defeito de um sujeito teórico, a falta de impusividade...
Bartolomeu"
- Bem, o quê acha?!
- Acho que Ian Fleming vai incluir você no novo dueto: os agentes secretos de Sua Majestade Real!
- Eu não quereria ser um agente britânico do MI6...
- Amigo, se tudo correr certo, a Guerra Fria vai fornecer o maior e melhor pano de fundo para o escritor birtânico escrever sobre James Bond, já foram cinco livros! Casino Royale, Live and let Die, Moonraker, Diamonds are forever, From Russia with Love e Dr. No... Eu invejo Fleming... aposto que a Indústria Cinematográfica vai entrar a fundo nisso... se os livros já são bons, imagine o filme disso?!
- Pode ser...
- Claro que vai ser! Fleming, quando escreveu Casino Royale, escreveu sobre suas experiências de Casino em Portugal, perdendo muito, daí, criou um agente secreto do Serviço Britânico, o Ministry of Inteligence 6 (MI6), para diminuir a culpa de suas perdas quando jogar... você cria um herói para se passar de vencedor!
- E você?! Cria muitos heróis?!
- Meus livros são de conteúdo diferente... por sinal, entrou em contato com Katerine?! Fez minha aposta?!
- Fiz a aposta... Mas que bela dama... mas entrei sim em contato... ela é solteira?!
- Não vamos começar a falar de mulheres, Rubens... Continuemos sobre a família de Fleming... seu irmão era escritor e escreveu sobre expedições no Mato Grosso, no Brasil, sabia?! Aliás, seu pai, Valentine Fleming, já era major das forças armadas, o que mostra que a espionagem e aventuras sempre estiveram ligadas a família... mas sobre sua mãe...
Adorava conversar com Rubens quando eu comandava a conversa, ele tinha bons insights, mas tinha um só assunto... precisava guiá-lo, certas vezes...
Eu tinha bons insights na naquela época... conseguia prever muitas coisas, James Bond teve a maior quantidade de filmes sobre um só personagem até hoje... e Rubens nunca passou de um araponga de segunda... Bem, c'est la vie...
Eu só não imaginava o que tramava minha mulher... os dias no hospital me fizeram uma pessoa mais responsável, pois podia pensar mais sobre a minha vida, relembrar os erros cometidos e pensar em boas soluções em não mais cometê-los, mas a sombra e sabor do acaso, eu sabia que iria cometê-los de novo... como foi com minha mulher assim que ela me visitou... ela conseguiu comprar o mesmo peixe por um preço ainda menor... sentia-me reduzido por isso... talvez fosse a fraqueza que Bartolomeu me disse, em carta... sentia que todos continuavam zombando de mim... já eram 22h33 e estava com sono... tinha que dormir, quem sabe não conseguia resolver meus problemas nos meus sonhos?!
O meu cansaço de esperar era evidente nauqela maca...
Era preciso esperar um pouco Rubens chegar com novas informações... o dia 18 de Maio se aproximava, com cautela e euforia...
* * * * * * *
"Weiss tem uma fraqueza que todos os escritores possuem para ter o que escrever. Mas confesso que mesmo os que não possuem capacidade de escrever belos textos tem também a fraqueza diante de certas pessoas, para mim, a minha amada; para ele, Emmanuelle. Até as mulheres que vejo, tendo buscar as características de minha amada. Curiosamente, notei, no baile do Príncipe que havia uma mulher de beleza singular, que, confesso, tinha feições características e modo de se vestir semelhante a CVM... O primeiro contato apenas se restringiu a isso e nada além. Noto que poderia ser uma boa possibilidade de ter uma nova chance em minha vida, a chance de me libertar, assim como falei da boca para fora para Weiss. Tenho dificuldade de por em prática o que penso, mesmo sendo boas idéias... esse é o maior defeito de um sujeito teórico, a falta de impusividade...
Bartolomeu"
- Bem, o quê acha?!
- Acho que Ian Fleming vai incluir você no novo dueto: os agentes secretos de Sua Majestade Real!
- Eu não quereria ser um agente britânico do MI6...
- Amigo, se tudo correr certo, a Guerra Fria vai fornecer o maior e melhor pano de fundo para o escritor birtânico escrever sobre James Bond, já foram cinco livros! Casino Royale, Live and let Die, Moonraker, Diamonds are forever, From Russia with Love e Dr. No... Eu invejo Fleming... aposto que a Indústria Cinematográfica vai entrar a fundo nisso... se os livros já são bons, imagine o filme disso?!
- Pode ser...
- Claro que vai ser! Fleming, quando escreveu Casino Royale, escreveu sobre suas experiências de Casino em Portugal, perdendo muito, daí, criou um agente secreto do Serviço Britânico, o Ministry of Inteligence 6 (MI6), para diminuir a culpa de suas perdas quando jogar... você cria um herói para se passar de vencedor!
- E você?! Cria muitos heróis?!
- Meus livros são de conteúdo diferente... por sinal, entrou em contato com Katerine?! Fez minha aposta?!
- Fiz a aposta... Mas que bela dama... mas entrei sim em contato... ela é solteira?!
- Não vamos começar a falar de mulheres, Rubens... Continuemos sobre a família de Fleming... seu irmão era escritor e escreveu sobre expedições no Mato Grosso, no Brasil, sabia?! Aliás, seu pai, Valentine Fleming, já era major das forças armadas, o que mostra que a espionagem e aventuras sempre estiveram ligadas a família... mas sobre sua mãe...
Adorava conversar com Rubens quando eu comandava a conversa, ele tinha bons insights, mas tinha um só assunto... precisava guiá-lo, certas vezes...
Eu tinha bons insights na naquela época... conseguia prever muitas coisas, James Bond teve a maior quantidade de filmes sobre um só personagem até hoje... e Rubens nunca passou de um araponga de segunda... Bem, c'est la vie...
Eu só não imaginava o que tramava minha mulher... os dias no hospital me fizeram uma pessoa mais responsável, pois podia pensar mais sobre a minha vida, relembrar os erros cometidos e pensar em boas soluções em não mais cometê-los, mas a sombra e sabor do acaso, eu sabia que iria cometê-los de novo... como foi com minha mulher assim que ela me visitou... ela conseguiu comprar o mesmo peixe por um preço ainda menor... sentia-me reduzido por isso... talvez fosse a fraqueza que Bartolomeu me disse, em carta... sentia que todos continuavam zombando de mim... já eram 22h33 e estava com sono... tinha que dormir, quem sabe não conseguia resolver meus problemas nos meus sonhos?!
O meu cansaço de esperar era evidente nauqela maca...
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