Chego num local desconhecido. Não sou acolhido. Sou pedra, sou gelo, sou animal, assim vivo, assim me tornei vivo até então. Mas... acolheram esse bruto, esse animal ferido, feroz, incessante diante de expressivas vitórias, mas de poucos resultados... contraditório e coerente, coeso... forte, mas fraco também. Assim foi... transformaram-me em outro, apegado às pessoas que bem me receberam, grato, melhor, honrado pela atenção, quando ignorava o mundo; pela força dada quando era fraco; pelo conhecimento, quando nada sabia...
Pelo olhar, me guiei; pela rocha, me mirei quando chovia forte no horizonte, recolhi minhas velas, temi que morreria... rezei ao bom deus... a chuva reduziu, o horizonte clareou, pude hastear minhas velas, receber a brisa em meu rosto, mesmo com uma chuva leve, num céu nublado... já enxergo a praia, em meu veleiro, marcado, mas valente veleiro, que não se entrega - a minha vida.
E tudo isso, por pura amizade... agora chega a hora de por seu veleiro na praia, de pegar umas 'chuvinhas', mas se elas aumentarem de tamanho, se elas ameaçarem seu barco, não se aflinja: estarei para navegar o quanto for necessário para ajudá-lo nesse Mar Portuguez...
"Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."
Pelo olhar, me guiei; pela rocha, me mirei quando chovia forte no horizonte, recolhi minhas velas, temi que morreria... rezei ao bom deus... a chuva reduziu, o horizonte clareou, pude hastear minhas velas, receber a brisa em meu rosto, mesmo com uma chuva leve, num céu nublado... já enxergo a praia, em meu veleiro, marcado, mas valente veleiro, que não se entrega - a minha vida.
E tudo isso, por pura amizade... agora chega a hora de por seu veleiro na praia, de pegar umas 'chuvinhas', mas se elas aumentarem de tamanho, se elas ameaçarem seu barco, não se aflinja: estarei para navegar o quanto for necessário para ajudá-lo nesse Mar Portuguez...
"Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."
