"Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,
que solidão errante até tua companhia!
[Pablo Neruda]
Saindo do Principado de Mônaco, tive a oportunidade de viajar pelo mais belo lugar da Terra, a Côte d'Azur, a região também conhecida como Riviera Francesa. Nice a Toulon e, finalmente, a cidade de Marselha, capital da Região Provence-Alpes-Côte d'Azur. Marselha teve importantes homens e filhos, mas são seus bravos soldados os mais importantes. Segundo diz a história francesa, Napoleão Bonaparte baniu a região, devido ao forte apelo revolucionário dos soldados em aceitar o subjugo de Napoleão. Na restauração da monarquia, fora incorporado e o nome deu origem ao famoso hino francês, A marselhesa. Rubens, meu amigo, vinha cantando o hino durante o caminho, com seu sotaque de Edith Piaf. Confesso que preferia La vie en rose... Assassinou o hino francês... Mas quem era eu, se não seu convidado. Por sinal, havia de vir minha esposa, Emmanuelle, segundo ele. Tinha convidado para passar uma tarde comigo e dois dias em Nice com a irmã dele.
Eu não gostava da irmã de Rubens, ficaria em Marselha, esperando Miss Katerine. Saimos nessa tarde para ver um filme. Vimos Around the World in Eighty Days, premiado com o Oscar no ano anterior. Grandes coisas, dizia minha mulher. Preferia o Festival de Cannes, mesmo sabendo que apenas haviam três estatuetas entregues, enquanto o Oscar, desde 1929.
- Hahahah... você quer me convencer que a Palma é superior ao Oscar?!
- Claro que é. Os americanos premiam eles mesmos, apenas isso. Premiamos os melhores filmes do mundo.
- Vocês premiaram três filmes, dois são americanos, um francês, e é do Professor Cousteau.
- Mas estamos a premiar um filme soviético, Quando voam as cegonhas...
- Por Cristo... eu queria saber se eles sabem o que é cinema...
- Não seja tão Hollywoodiano...
- Não sou fã stritu sensu de Hollywood... eles apenas são o máximo.
- Sim, depois da fajuta rasteira que nos passaram na Primeira Guerra! Leonard, se a Primeira Guerra não acontecesse, os Estados Unidos não teriamos metade do poder que eles possuem hoje e, olha, essa discussão já está por aqui! (apontou-me a metade de sua testa, como era de costume...).
Bem, depois dessa, tinha que recuar. Um homem tem que saber até onde anda com uma dama, e a importância da discussão no relacionamento. Decidi recuar. Pedi desculpas e disse que ela me convenceu que a Europa ainda era o centro, pelo menos, cultural do mundo. Enlacei-a nos meus braços e dei-lhe um beijo em sua bochecha, passando minha mão a sua cintura, e eu, sempre a sua esquerda. Ela, satisfeita com meu recuo, pôs seu braço esquerdo sobre meu ombro esquerdo, enlançando-me, agora, abaixou sua cabeça em meu ombro e caminhamos calados até o cinema.
Durante o filme, carícias e afagos. Alguns beijos em seu cangote, palavras em italiano em seu ouvido, algumas juras de amor... e as tradicionais mordidas em sua orelha, que lhe fazia muito bem. Eu sabia pouco sobre as mulheres, mas conhecia bem Emanuelle. Sabia agradá-la. Na volta, nenhuma menção ao balão inglês e o 'criado' francês de "Phileas Fogg"... isso seria encarado na geopolítica de minha mulher como subjugo ao Império Britânico, e ai, pronto! Estava feita a lambança... lembro certa vez que discutimos isso, terminamos na África, discutindo se o Egito devia falar Francês ou Inglês... era o tradicional assunto: a descolonização dos Impérios Europeus e quem aguentava mais tempo segurando as colônias, a França, com poucos recursos, estava perdendo a corrida para o Reino Unido a muito tempo, e nunca admitiam isso. Eu achava cômico, como brasileiro, como os Europeus tratavam as suas colônias: era algo como marionetes das grandes potências... achava engraçado, mas não era revolucionário. Acho que era mais britânico que os próprios britânicos. Talvez a influência de Clement Raphael Freud, ator, escrito, político alemão, mas naturalizado britânico. Neto de Sigmund Freud. E isso lembrava Katerine. Será que meus costumes conservadores impressionariam a dama de preto?! Será que afugentariam-na?! Tinha que esperar...
Em Marselha, saimos do cinema a carro de aluguel, o taxi, dos americanos. Após a chegada em casa de meu amigo, noto seu bilhete:
"Caro Leonard, sai da cidade em uma emergência. Não dormirei em casa, portanto, não me espere essa noite para o vinho! Lembranças a sua mulher.
Rubens"
No lugar de vinho combinado com Rubens e minha mulher, consegui um chá com Emmanuelle. Finalmente, estava vencendo! Durante o preparo, ela, de costas para mim, lembrava vários amores no Brasil. Mas era fiel em meus pensamentos. No lugar de pensar nelas, fui acariciar minha esposa: um enlace forte e firme por detrás dela, beijos quentes e molhados em sua nuca para ela fraquejar, largar a água quente na pia, e se virar para mim... era de meus beijos que mais gostava, na boca; a leve retirada de meu rosto frente ao dela e o avançar de seu rosto contra o meu, como se fosse o avançar do exército francês em direção a Prússia ou a Inglaterra, eu adorava isso... me deleitava com sua vontade em me querer, sentia meu amor retribuído e toda minha fidelidade, até em meus pensamentos, paga em dólares! Ops: Em Francos, e franceses! Ai de mim! Fomos nos beijando até a cama de solteiro em que eu repousava todas as noites na casa de Rubens, e ali, estivemos na mais das deliciosas noites de amor em minha vida. Meu cansaço era evidente, suava muito, mas ela adorava me levar ao meu máximo. Sentia muito bem. Conseguiamos, como bom casal, boas horas de diversão. Amava aquela mulher.
No dia seguinte, Rubens aparecia. Tomamos um café na esquina do Boulevard. Despedimo-nos e deixei-a ir com Rubens. Pronto para receber Katerine. Antes, fui a tabacaria, tomei um charuto cubano e acendi, encontro com um homem. Seu nome, Bartolomeu. Foi a primeira conversa com ele. Mostrou-se arrogante, como sempre, num primeiro instante. Sempre cheio de si... tive medo, apesar de a conversa ser breve... criei uma amizade com o soldado.
- Salut, Monsieur.
- Hi.
- Vous parlez français, vous être anglais?!
- Oui, je parle français, English, italiano, português et tutti che desideriate per parlare (tudo o que você deseja falar... ufa! Agora me senti reduzidíssimo, ao extremo. Uma língua é um signo, um elemento chave na comunicação, um código, que se você não domina, sequer entende um cumprimento, mais do que nunca a lição de recuar com estilo teve sua função na França!).
- Bien, se tu ne veux pas parler en français et comment je suis brésilien, je préferé le brésilien, oui?!
- Tudo bem. Sou Bartolomeu, italiano, soldado na II Guerra, apesar da pouca idade e tu és quem?!
- Eu sou Leonard Weiss, sou brasileiro e de ascendência suiça, mas sou casado com uma francesa; tenho laços e pés na Europa.
- Seria preferível sequer ter! O velho continente acabou e está em frangalhos depois da Guerra. Fizeram a Guerra, resolveram os problemas geopolíticos, agora, falta matar os filhos da guerra, e eu sou vítima disso!
Matar os filhos da guerra... gostei disso! Era a primeira figura de linguagem bem construída em português que ouvira desde o abandono do Brasil a três meses atrás... mas que amargura aparecia naquele homem... algo forte e poderoso em sua alma que não queria mostrar a ninguém. Lembrava Vincent... amigo de colégio na escola francesa, tinha um segredo que só contara para mim: nunca tinha beijado nenhuma garota até os 26 anos de idade! Nos meus 30 e poucos anos, não sei porque, sua imagem viera a minha cabeça, aquele homem tinha amarguras no coração, talvez mais fortes que sentimentos advindos deles, talvez uma perda grave durante a guerra tornava-o tão arisco...
- Estás a pensar em quê? (ele inrompe meu silêncio escandaloso...)
- Carros (Foi a primeira coisa que me veio em mente, confesso...)
- O quê?!
Olhava o pequeno anúncio na mesa da tabacaria, cigarros e carros de corrida, algo tão comum depois da invenção da Fórmula 1. Por mais nojo que tivesse dos Europeus, ainda devia gostar de carros e de uma corrida em Mônaco, o mais tradicional circuito. Clement sempre conseguia ingressos fáceis para as Óperas e corridas de carro na Europa. Talvez conseguisse chamar o homem para uma conversa mais fácil e destemida lá... talvez...
- Fórmula 1. Gosta?! Tem carros e tem a Ferrari.
- La Scuderia! Se soubesse que fosse tifosi, teria sido mais gentil.
Uau! Se tinha duas coisas que os italianos gostavam ainda era: a Igreja e a Ferrari. Foi fácil criar o vínculo. Pronto para uma amizade bem complexa... gostava de pessoas complexas, faziam-me pensar. Bartolomeu era assim.
- Está convidado por mim, mon ami, iremos ver a Ferrari ganhando mais uma! (será?! Fangio a levou à vitória no circuito monegasco ano passado, mas será que conseguiria de novo?! Que fria estava me metendo???)
- Sim! Fechado!
Ufá! Dessa vez passou... três a zero para mim na semana. Bartolomeu foi muito fácil. Notei que tem muitos pontos fracos e isso pode ser demasiadamente interessante. Mas, o que mais importa é que estou vencendo. Conseguia contato com Miss Katerine, o sorriso de minha mulher, e uma amizade com um soldado italiano. Estava bem no idioma local, no estrangeiro (sempre detestei me comunicar em inglês, apesar das facilidades de conjugação, haviam os tenses que me enrolava... muito tempo composto, e nisso, o francês me salvava! Mas adorava a Grã-Bretanha e Londres), e no materno. Faltava o 'jogo de volta', será que Katerine seria fácil como Bartolomeu?! Chegando em casa, o porteiro do prédio me aborda:
- M. Weiss?!
- Oui, je suis M. Weiss.
- Par Vous.
"Mr. Leonard,
I've arrived here, but I don't see you in your apartament. I think I'll come back to Monaco today, there'll a race car (Formule 1), there on next week. Why don't you come with me?! Bring your books, certainty, I'd love read them.
Lady Kathy"
É, parece que tudo na vida tem um trade-off, como dizem os economistas: se você faz uma coisa, você deixa de fazer outras. Mas se a primeira coisa é mais valorosa para você que a segunda, então, você está dentro da racionalidade econômica. Droga! As escolhas não me foram anunciadas antes! Se soubesse que Lady Kathy (Kathy! Quanta intimidade jogava a minha pessoa, pensei...) estaria aqui, ficaria em casa e não sairia e conversaria com Bartolomeu por tanto tempo! Mas também sequer saberia que Bartolomeu existiria! É... três a um, ainda para mim. Vou arrumar minhas malas...
Eu não gostava da irmã de Rubens, ficaria em Marselha, esperando Miss Katerine. Saimos nessa tarde para ver um filme. Vimos Around the World in Eighty Days, premiado com o Oscar no ano anterior. Grandes coisas, dizia minha mulher. Preferia o Festival de Cannes, mesmo sabendo que apenas haviam três estatuetas entregues, enquanto o Oscar, desde 1929.
- Hahahah... você quer me convencer que a Palma é superior ao Oscar?!
- Claro que é. Os americanos premiam eles mesmos, apenas isso. Premiamos os melhores filmes do mundo.
- Vocês premiaram três filmes, dois são americanos, um francês, e é do Professor Cousteau.
- Mas estamos a premiar um filme soviético, Quando voam as cegonhas...
- Por Cristo... eu queria saber se eles sabem o que é cinema...
- Não seja tão Hollywoodiano...
- Não sou fã stritu sensu de Hollywood... eles apenas são o máximo.
- Sim, depois da fajuta rasteira que nos passaram na Primeira Guerra! Leonard, se a Primeira Guerra não acontecesse, os Estados Unidos não teriamos metade do poder que eles possuem hoje e, olha, essa discussão já está por aqui! (apontou-me a metade de sua testa, como era de costume...).
Bem, depois dessa, tinha que recuar. Um homem tem que saber até onde anda com uma dama, e a importância da discussão no relacionamento. Decidi recuar. Pedi desculpas e disse que ela me convenceu que a Europa ainda era o centro, pelo menos, cultural do mundo. Enlacei-a nos meus braços e dei-lhe um beijo em sua bochecha, passando minha mão a sua cintura, e eu, sempre a sua esquerda. Ela, satisfeita com meu recuo, pôs seu braço esquerdo sobre meu ombro esquerdo, enlançando-me, agora, abaixou sua cabeça em meu ombro e caminhamos calados até o cinema.
Durante o filme, carícias e afagos. Alguns beijos em seu cangote, palavras em italiano em seu ouvido, algumas juras de amor... e as tradicionais mordidas em sua orelha, que lhe fazia muito bem. Eu sabia pouco sobre as mulheres, mas conhecia bem Emanuelle. Sabia agradá-la. Na volta, nenhuma menção ao balão inglês e o 'criado' francês de "Phileas Fogg"... isso seria encarado na geopolítica de minha mulher como subjugo ao Império Britânico, e ai, pronto! Estava feita a lambança... lembro certa vez que discutimos isso, terminamos na África, discutindo se o Egito devia falar Francês ou Inglês... era o tradicional assunto: a descolonização dos Impérios Europeus e quem aguentava mais tempo segurando as colônias, a França, com poucos recursos, estava perdendo a corrida para o Reino Unido a muito tempo, e nunca admitiam isso. Eu achava cômico, como brasileiro, como os Europeus tratavam as suas colônias: era algo como marionetes das grandes potências... achava engraçado, mas não era revolucionário. Acho que era mais britânico que os próprios britânicos. Talvez a influência de Clement Raphael Freud, ator, escrito, político alemão, mas naturalizado britânico. Neto de Sigmund Freud. E isso lembrava Katerine. Será que meus costumes conservadores impressionariam a dama de preto?! Será que afugentariam-na?! Tinha que esperar...
Em Marselha, saimos do cinema a carro de aluguel, o taxi, dos americanos. Após a chegada em casa de meu amigo, noto seu bilhete:
"Caro Leonard, sai da cidade em uma emergência. Não dormirei em casa, portanto, não me espere essa noite para o vinho! Lembranças a sua mulher.
Rubens"
No lugar de vinho combinado com Rubens e minha mulher, consegui um chá com Emmanuelle. Finalmente, estava vencendo! Durante o preparo, ela, de costas para mim, lembrava vários amores no Brasil. Mas era fiel em meus pensamentos. No lugar de pensar nelas, fui acariciar minha esposa: um enlace forte e firme por detrás dela, beijos quentes e molhados em sua nuca para ela fraquejar, largar a água quente na pia, e se virar para mim... era de meus beijos que mais gostava, na boca; a leve retirada de meu rosto frente ao dela e o avançar de seu rosto contra o meu, como se fosse o avançar do exército francês em direção a Prússia ou a Inglaterra, eu adorava isso... me deleitava com sua vontade em me querer, sentia meu amor retribuído e toda minha fidelidade, até em meus pensamentos, paga em dólares! Ops: Em Francos, e franceses! Ai de mim! Fomos nos beijando até a cama de solteiro em que eu repousava todas as noites na casa de Rubens, e ali, estivemos na mais das deliciosas noites de amor em minha vida. Meu cansaço era evidente, suava muito, mas ela adorava me levar ao meu máximo. Sentia muito bem. Conseguiamos, como bom casal, boas horas de diversão. Amava aquela mulher.
No dia seguinte, Rubens aparecia. Tomamos um café na esquina do Boulevard. Despedimo-nos e deixei-a ir com Rubens. Pronto para receber Katerine. Antes, fui a tabacaria, tomei um charuto cubano e acendi, encontro com um homem. Seu nome, Bartolomeu. Foi a primeira conversa com ele. Mostrou-se arrogante, como sempre, num primeiro instante. Sempre cheio de si... tive medo, apesar de a conversa ser breve... criei uma amizade com o soldado.
- Salut, Monsieur.
- Hi.
- Vous parlez français, vous être anglais?!
- Oui, je parle français, English, italiano, português et tutti che desideriate per parlare (tudo o que você deseja falar... ufa! Agora me senti reduzidíssimo, ao extremo. Uma língua é um signo, um elemento chave na comunicação, um código, que se você não domina, sequer entende um cumprimento, mais do que nunca a lição de recuar com estilo teve sua função na França!).
- Bien, se tu ne veux pas parler en français et comment je suis brésilien, je préferé le brésilien, oui?!
- Tudo bem. Sou Bartolomeu, italiano, soldado na II Guerra, apesar da pouca idade e tu és quem?!
- Eu sou Leonard Weiss, sou brasileiro e de ascendência suiça, mas sou casado com uma francesa; tenho laços e pés na Europa.
- Seria preferível sequer ter! O velho continente acabou e está em frangalhos depois da Guerra. Fizeram a Guerra, resolveram os problemas geopolíticos, agora, falta matar os filhos da guerra, e eu sou vítima disso!
Matar os filhos da guerra... gostei disso! Era a primeira figura de linguagem bem construída em português que ouvira desde o abandono do Brasil a três meses atrás... mas que amargura aparecia naquele homem... algo forte e poderoso em sua alma que não queria mostrar a ninguém. Lembrava Vincent... amigo de colégio na escola francesa, tinha um segredo que só contara para mim: nunca tinha beijado nenhuma garota até os 26 anos de idade! Nos meus 30 e poucos anos, não sei porque, sua imagem viera a minha cabeça, aquele homem tinha amarguras no coração, talvez mais fortes que sentimentos advindos deles, talvez uma perda grave durante a guerra tornava-o tão arisco...
- Estás a pensar em quê? (ele inrompe meu silêncio escandaloso...)
- Carros (Foi a primeira coisa que me veio em mente, confesso...)
- O quê?!
Olhava o pequeno anúncio na mesa da tabacaria, cigarros e carros de corrida, algo tão comum depois da invenção da Fórmula 1. Por mais nojo que tivesse dos Europeus, ainda devia gostar de carros e de uma corrida em Mônaco, o mais tradicional circuito. Clement sempre conseguia ingressos fáceis para as Óperas e corridas de carro na Europa. Talvez conseguisse chamar o homem para uma conversa mais fácil e destemida lá... talvez...
- Fórmula 1. Gosta?! Tem carros e tem a Ferrari.
- La Scuderia! Se soubesse que fosse tifosi, teria sido mais gentil.
Uau! Se tinha duas coisas que os italianos gostavam ainda era: a Igreja e a Ferrari. Foi fácil criar o vínculo. Pronto para uma amizade bem complexa... gostava de pessoas complexas, faziam-me pensar. Bartolomeu era assim.
- Está convidado por mim, mon ami, iremos ver a Ferrari ganhando mais uma! (será?! Fangio a levou à vitória no circuito monegasco ano passado, mas será que conseguiria de novo?! Que fria estava me metendo???)
- Sim! Fechado!
Ufá! Dessa vez passou... três a zero para mim na semana. Bartolomeu foi muito fácil. Notei que tem muitos pontos fracos e isso pode ser demasiadamente interessante. Mas, o que mais importa é que estou vencendo. Conseguia contato com Miss Katerine, o sorriso de minha mulher, e uma amizade com um soldado italiano. Estava bem no idioma local, no estrangeiro (sempre detestei me comunicar em inglês, apesar das facilidades de conjugação, haviam os tenses que me enrolava... muito tempo composto, e nisso, o francês me salvava! Mas adorava a Grã-Bretanha e Londres), e no materno. Faltava o 'jogo de volta', será que Katerine seria fácil como Bartolomeu?! Chegando em casa, o porteiro do prédio me aborda:
- M. Weiss?!
- Oui, je suis M. Weiss.
- Par Vous.
"Mr. Leonard,
I've arrived here, but I don't see you in your apartament. I think I'll come back to Monaco today, there'll a race car (Formule 1), there on next week. Why don't you come with me?! Bring your books, certainty, I'd love read them.
Lady Kathy"
É, parece que tudo na vida tem um trade-off, como dizem os economistas: se você faz uma coisa, você deixa de fazer outras. Mas se a primeira coisa é mais valorosa para você que a segunda, então, você está dentro da racionalidade econômica. Droga! As escolhas não me foram anunciadas antes! Se soubesse que Lady Kathy (Kathy! Quanta intimidade jogava a minha pessoa, pensei...) estaria aqui, ficaria em casa e não sairia e conversaria com Bartolomeu por tanto tempo! Mas também sequer saberia que Bartolomeu existiria! É... três a um, ainda para mim. Vou arrumar minhas malas...