Thursday, November 29, 2007

Tão seu




Tão Seu
Skank
Composição: Samuel Rosa / Chico Amaral

Sinto sua falta
Não posso esperar
Tanto tempo assim
O nosso amor é novo
É o velho amor ainda e sempre...

Não diga que não vem me ver
De noite eu quero descansar
Ir ao cinema com você
Um filme à tôa no Pathé...

Que culpa a gente tem
De ser feliz
Que culpa a gente tem
Meu bem!
O mundo bem diante do nariz
Feliz aqui e não além...

Eh! Eh!
Me sinto só, me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão, me sinto só
E sou teu!
Me sinto só, me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão, me sinto só
E sou teu!...

Faço tanta coisa
Pensando no momento de te ver
A minha casa sem você é triste
A espera arde sem me aquecer...

Não diga que você não volta
Eu não vou conseguir dormir
À noite eu quero descansar
Sair à tôa por aí...

Eh! Eh! Oh! Oh!
Me sinto só, me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão, me sinto só
E sou teu!
Me sinto só, me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão, me sinto só
E sou teu!
Oh! Oh! Oh! Eh! Eh!...

Sinto sua falta
Não posso esperar
Tanto tempo assim
O nosso amor é novo
É o velho amor ainda e sempre...

Que culpa a gente tem
De ser feliz
Eu digo eles ou nós dois
O mundo bem diante do nariz
Feliz agora e não depois...

Eh! Eh!
Me sinto só, me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão, me sinto só
E sou teu!
Me sinto só, me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão, me sinto só
E sou teu!
Oh! Oh! Oh! Eh! Eh!...

Monday, November 26, 2007

Per la Famiglia, sempre!


Hoje a Madrinha faz anos! A um tempão comemoramos juntos essa data importante que me faz lembrar de uma série de situações muito importantes na minha vida. Quero escrever para ela, porque ela é uma pessoa muito importante na minha vida, quase uma irmã. Ela se tornou funcionária pública cedo, e comandou toda a dita Máfia que pertenço hoje, e fico muito feliz de assim fazer parte de seus quadros. Não sei se teria as mesmas astúcias que ela em comandar semelhante instituição, mas o certo é que ela é uma das pessoas mais competentes, inteligentes, sagazes e corajosas que já testemunhei. Agradeço por ter uma amizade que se arrasta por mais de quatro anos de aventuras e boas conversas.

Que a cada dia 26 de novembro, você tenha muita saúde, muita vida e muita felicidades para tocar o negócio de azeite de La Famiglia e que sejamos eternos amigos. Ainda temos que marcar a grande viagem! Ainda mais agora que voltei a ser um funcionário público! =)

Torço por você, Aline!

Per la Famiglia, sempre!

Wednesday, November 21, 2007

Balada do Amor Inabalável



Balada do Amor Inabalável
Skank
Composição: Samuel Rosa / Fausto Fawcett

Eu levo essa canção
De amor dançante
Prá você lembrar de mim
Seu coração lembrar de mim...

Na confusão do dia-a-dia
No sufoco de uma dúvida
Na dor de qualquer coisa...

É só tocar essa balada
De swing inabalável
Que é o oásis pr'o amor
Eu vou dizendo
Na seqüência bem clichê
Eu preciso de você...

Darará! Dararumdá Darará!
Dararumdá! Darumdá!
Darumdá! Darumdá!...

É força antiga do espírito
Virando convivência
De amizade apaixonada
Sonho, sexo, paixão
Vontade gêmea de ficar
E não pensar em nada...

Planejando
Prá fazer acontecer
Ou simplesmente
Refinando essa amizade
Eu vou dizendo
Na sequência bem clichê
Eu preciso de você...

Darará! Dararumdá Darará!
Dararumdá! Darumdá!
Darumdá! Darumdá!...

Mesmo que a gente se separe
Por uns tempos ou quando
Você quiser lembrar de mim
Toque a balada
Do Amor Inabalável
Swing de amor nesse planeta...

Mesmo que a gente se separe
Por uns tempos ou quando
Você quiser lembrar de mim
Toque a balada
Seja antes ou depois
Eterna Love Song de nós dois...

Eu levo essa canção
De amor dançante
Prá você lembrar de mim
Seu coração lembrar de mim
Na confusão do dia-a-dia
No sufoco de uma dúvida
Na dor de qualquer coisa...

Darará! Dararumdá Darará!
Dararumdá! Darumdá!
Darumdá! Darará!
Darará! Dararumdá Darará!
Dararumdá! Darumdá!
Darumdá! Darará!
Dararumdá! Darumdá!
Darumdá! Darará!...


Tuesday, November 20, 2007

Dia da Bandeira


Hoje é dia da bandeira. A bandeira brasileira é uma das mais belas do mundo. Revela os símbolos de um povo massacrado por políticos corruptos, o verde das nossas matas mortas pelo explorador; o amarelo de nosso ouro saqueado; o azul de nosso céu, ainda azul, com algumas estrelas e sem muita ordem e progresso. O lema - Ordem e Progresso - é um lema positivista, de Auguste Comte, francês, que era um dos que acreditava que sem ordem, não haveria progresso. E para falar a verdade, para o positivismo, a história da simbologia da bandeira é uma baita marmelada. Cuido disso depois. Mas sobre o positivismo, em certos casos isso funciona. Às vezes regras bem estabelecidas e bem colocadas levam ao progresso de um país, ou mesmo de indivíduos tomados em particular.

Eu tentei ter disciplina em tudo que fiz. Esmêro, força de vontade, fé, ordem. Tive pouco progresso, mas começam a nascer os brotos. Estou feliz. Eu quero ir além, mas estou muito satisfeito com tudo o que vem acontecendo. Estou recebendo bons presentes de aniversário, e o Natal está ai. O que vai acontecer?! Bem, não quero mais prever, quero deitar na minha cadeira e relaxar um pouco...

Quanto a bandeira... bem, que ela continue tremulando e dando um pouco de esperança a quem ainda acredita nela... Pátria amada, amo-te; mas continue me amando!

Monday, November 12, 2007

Raios!!

RAIIIOOSS!!!

Fui convidado pra uma tal de suruba,
Não pudia ir, Maria foi no meu lugar
Depois de uma semana ela voltou pra casa,
Toda arregaçada não podia nem sentar.

Quando vi aquilo fiquei assustado,
Maria chorando começou a me explicar.
Daí então eu fiquei aliviado,
E dei graças a Deus porque ela foi no meu lugar

Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém
Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Neste raio de suruba, já me passaram a mão na bunda,
E ainda não comi ninguém!
[Mamonas Assassinas, Vira-vira]



RAIIIIOOSS!!!

Quem nunca ouviu essa música, pode atirar a primeira pedra. Bom, pelo meu conservadorismo excessivo, eu não gostava de Mamonas Assassinas. Sim, eu era diferente demais, por isso, ganhei destaque na minha quinta série. Mas se era o único a demonstrar que não gostava, era um dos poucos a demonstrar que cantava... Bem, mas isso é pretexto para dizer que um raio quase acertou minha casa. Sim, quase. Será um sinal do além?! Será que há mais surpresas?! Será que devo apostar na mega-sena?! Será que um raio não cai no mesmo local?!

Bom, o fato é que um raio passou raspando pelo meu telhado, e atingiu uma árvore, do outro lado da rua! Não, não tinha nenhum carro, não tinha ninguém atravessando, e fazia, segundos os relatos de minha mãe, um grande e gigantesco roda-moinho, daqueles que às vezes visitam a casa do Mickey Mouse todo início de ano.

Aliás, diga-se de passagem que o Mickey é muito mais macho que rato. Por que?! Pensa só: imagina se um furacão passa pela sua casa... o que você faria. Bem, deixe-me advinhar: você correria para o porão e se esconderia, se não, até mesmo, você fugiria para longe, evitando um desastre de como aconteceu em Nova Orleans, com o furacão Katrina, que o desgraçado do Bush filho não teve coragem de socorrer na hora certa, porque é um incopetente, e que a Lousiania tenha Jazz e que o estado do Texas e os texanos tenham muita raiva por isso.

Mas deixemos a política interna americana para eles, e voltemos para o Mickey. Ele jamais fugiria da Disney, não porque é um rato, nem porque o Walt pôs ele lá, mas, acima de tudo, é porque ele é macho pra cacete! Ele não largaria a Minnie, não largaria o Pluto, nem o Pato Donald, sequer o Pateta e o chato do Zé Carioca.

E sabe porque?! Porque o Mickey é um porco capitalista que eu gosto! Ele gosta do dinheiro que as criancinhas deixam lá, e gosta da família que ele criou lá. Eu sou fã do Mickey, acho que ele deveria concorrer nas próximas eleições para o governo do Estado local, a Flórida, desbancando o Bush irmão; e isso daria certo, pois o Mickey, como toda a indústria cinematográfica, deve ser Democrata.

Bem, o safado do Mickey tem ainda um futuro promissor, e, suponho eu, na ingenuidade de meus pensamentos, que ele pode se casar, envelhecer um pouco, por a Disney para um bom assessor administrar e tocar o negócio; talvez a Minnie tenha senso empreendedor e consiga gerar dividendos para a campanha e ainda sim o Mickey pode chegar a Casa Blanca.

Tomara que ele não dê uma puladinha da cerca e se aproveite de ser democrata e de estar na casa Blanca para pegar alguma estagiária e por tudo a perder. Mas acho que ele não chega longa não, porque é burro e tem mal serve para cobaia de laboratório de psicologia. Eu mesmo já tentei chutar a bunda dele e dar uma lambada nele, mas não deu; aquele porco-capitalista é forte, igual o papai-noel, mas deste, eu cuido noutro post...

Bem, tirando o Mickey, os americanos e o papai Noel (por enquanto...) dessa fucking story, minha casa perdeu algumas telhas, amanhã chega os pedreiros para arrumar. Diga-se de passagem, as chuvas aqui dessa cidade estão varrendo tudo, até os telhados do Pier... sim, a alguns dias isso aconteceu...

Aliás, falando em Papai Noel, o Natal vem chegando... o que vou pedir?! Conto noutra estória...





[Mickey na arte de Andy Warhol, o criador do por-art; visão da árvore destruída, assim que cheguei em casa a noite. Crônicas da semana, agora aqui no NTDN]

Friday, November 09, 2007

Ex-post

"Escrever é lembrar-se. Mas ler é, também, lembrar-se."
François Mauriac, escritor francês, Prêmio Nobel de Literatura - 1952


Chega ao fim a minha novela. Em 15 capítulos, durante dois meses, foram descritas algumas linhas de ficção, outras de não-ficção e que tem muito a ver com algumas coisas antigas, novas, recentes... em literatura, descobri que estudar a vida de um escritor significa, muitas vezes, estudar suas obras, pois elas são influenciadas pelos acontecimentos passados, presentes e muitas vezes, futuros. Pude ter a prova cabal disso nessas linhas. Acho uma mentira a frase: "essa é uma obra de ficção, e qualquer referência ou vínculo é mera coincidência". Sempre há vínculos com a realidade. Cada personagem tem um pouco das pessoas que passaram pela minha vida, cada lugar, uma semelhança com os lugares que visitei. Nada é absoluto. É uma grande salada, assim como foi a minha vida nesses últimos 10 anos.

Algumas pessoas, leitoras dos posts, podem comprovar isso e fico feliz pela audiência e preferência por nós. Aline, Ana Cláudia, Julie, Nina, Alfredo, Leonardo, Camilla, minha irmã. Valeu!

Gostei de escrever, mas não levo jeito. O meu negócio são os números e resultados. Não é a toa que sou um economista. "Cada homem tem um destino", como dizia Don Vito Corleone.

Em síntese, a história "Dobrando o Cabo da Boa Esperança" conta a estória de personagens que cometem erros e acertos em suas vidas, aprendendo pouco com o passado recente. Seria o ser humano um animal que aprende com dificuldade as lições do passado?! Pelos pressupostos econômicos da racionalidade, sim; pelos pressupostos da psicologia não-comportamental, não.

Abaixo, um índice de posts e algumas figuras ilustrando algumas semanas de audiência, estamos beirando quase novecentos visitantes! Mais uma vez, obrigado.


Índice de posts

1. O Dia de Bartolomeu
2. Antecedentes
3. O Encontro
4. Marselha, Lady Katherine, Poker e Bartolomeu
5. Fly me to the Moon
6. As cartas
7. Alea jacta est
8. A corrida e o vôo da coruja: a puzzle
9. O Psicólogo
10. Banda em fuga
11. O oceano em que navegamos
12. Meu amigo de 8 anos
13. Aquele dia de Bartolomeu
14. O desfecho do narrador
15. Considerações finais

Gráficos



Thursday, November 08, 2007

Considerações finais

"Todo homem morre; mas nem todo homem vive..."


Doença de Wilson. Quando cheguei ao Hospital na manhã do dia 6 de novembro, recebi a notícia de que meu Tio Weiss tinha falecido por uma doença rara, talvez incurável até hoje. Desde 1978, vivi só durante muito tempo. Senti falta da figura paternal de Leonard escrevendo na IBM dele em nosso apart em NYC... de suas saídas silenciosas pela manhã para camninhar no Central Park, aqui na 5ª avenida, e depois, acordar com o barulho do chuveiro de seus banhos matinais para, depois, sentar na cadeira e voltar a escrever seus livros. Não eram bons, sabia que não seriam publicados, mas incentivava ele.

Nunca disse isso, mas seus livros tinham um conteúdo sem drama, sem aventura, sem força motriz que me levasse a ler cada vez mais ele... Ele nunca escreveu nada sobre sua vida, apenas essas notas que aqui publico e suas memórias no sanatório (um dia a serem publicadas), e cuidou de mim durante os desessete anos precedentes, de 1958 a 1973... tive que me virar, tive que buscar minha mãe sozinha, não consegui... mudou de nome e nunca se casou... tive que escrever livros desmotivados e que me feriam, pois eram o leque que estava abrindo para todos os que folheavam e liam as páginas marcadas de meu sangue, do sangue de meus parentes e de meus amigos.

As boas lembranças dele sempre ficaram guardadas comigo. Sinto não ter sido mais solícita, não ter sido mais carinhosa, não ter acreditado mais na sua figura como meu protetor, de uma pessoa que realmente me amava, com todas as letras, os sons, os fonemas, e toda a poesia necessária para me encantar, e, que, eu não me encantei... encantei-me com seus gestos, com sua alegria, com seu positivismo, com sua força de viver na maca, tentando me mostrar que ainda demente era uma pessoa que acreditava na vida e na suplantação dos obstáculos, mas disso, aprendi, ele herdou de meu pai biológico.

A amizade de meu pai, Bartolomeu, com Weiss tornou esse último uma pessoa admirável. Bartolomeu com sua frieza transformou-se também. Meu pai fora pior, segundo relatos e cartas de minha mãe, que herdei de Weiss após ter sido internado no Hospital. Analisei os escritos e notara que era uma pessoa apaixonada por minha mãe, mas que essa não lhe correspondia a altura. Por que Bartolomeu não era o homem ideal?! Por que Bartolomeu era frio?! Por que Bartolomeu era feio?! Creio que não. Creio que por medo. Creio que por covardia. Creio que por força de vontade em ser feliz...

Digo isso por experiência própria. Ao largar Rubens, uma pessoa apaixonada por mim durante os tempos em que vivi no Brasil com meu Tio, tive arrependimentos. Escrevia sem parar em meus diários, a fim de ninguém ver meus sentimentos reprimidos e devastadores sobre a besteira que eu fiz. Mas passou. Rubens se casou, foi ser feliz bem longe de mim. Sequer quis contato. Morri para ele. Casei-me com o primeiro que me apareceu, logo depois. Foi frustante. Foi frustante saber que uma pessoa te amava tanto, que era capaz de dar a vida por você, mas que a que você dá a sua vida, quando se casa com ela, não daria sequer uma rosa colhida no jardim do Central Park para você... Perdi uma oportunidade, errei como minha mãe errou. Procurei por mais duas vezes o caminho da felicidade, naufraguei nas duas. Vivo hoje a deriva.

Se for genes, devo estar perdoada. Se for por falta de sabedoria, também. Mas se for por covardia, não me perdoaria nunca. Evito pensar sobre para não me convencer sobre isso. Quando a culpa é nossa, a carga torna-se um fardo enorme sobre nossos ombros de forma que não mais vivemos com essa culpa eterna. Vivo assim.

Fiquei triste demais. Sai do hospital e fui caminhar, sentei num banco qualquer. Contei isso tudo a um velho homem, oriental, baixo, de cabelos brancos, barba branca, e de olhos tão fechados que sequer via sua pupila. Ele virou-se para mim, tomou minhas mãos, fez um esforço sobrecomum para abrir as pálpedras, e lá, vi os olhos pretos e cansados daquele homem, veterano de guerra, na pracinha do Parque Central:

- Há duas coisas na vida que devemos aprender: uma é viver, outra é morrer. Morrer é saber fechar as portas, é saber ter coragem para para dizer 'não' para as oportunidades; e para que fechamos as portas?! Para abrir outras. Esse é o viver. Abrir portas. Uma aberta corresponde a uma fechada. Um 'talvez' não significa um 'não', mas o tempo costuma interpretar como tal. Se você reclama da morte de muitas pessoas, é porque quis abrir outras portas; quis viver de outra forma. Mas lembre-se: todo homem morre, mas nem todo homem vive...

Larguei suas mãos e continuei a caminhar... confesso que nunca entendi o real significado daquela fala...

* * * * * * *


Hoje, dia 8 de novembro de 2007, estou com 66 anos, os cabelos ruivos já não mais são tão ruivos, fio brancos são abundantes; meus olhos ficaram ainda menores; algumas marcas de expressão se tornaram inevitáveis também; meu pescoço passou a ter marcar singelas também, contrastando com força dos diamantes imutáveis que Weiss me presenteou... sinto-me mais velha do que a idade me diz, sinto que os atalhos que tomei para fugir dos caminhos que considerava difíceis tonaram minha vida mais rápida, mais frugal, mais entediante... sinto falta da aventura de meu pai, sinto falta de Rubens, sinto falta de Weiss, sinto falta de fazer coisas grandes, como traçar um grande plano marítimo e dobrar um Cabo, sinto falta de depois saber que vou morrer de velhice, mas não de aventuras...

* * * FIM * * *

Wednesday, November 07, 2007

Obrigado

Um aniversário é uma data em que você comemora a quantidade de anos vividos, ou não vividos. Eu não ou dizer que vivi toda minha vida, mas vivi o suficiente para dizer que estou vivo de novo. Talvez tenha dado sorte. A cada dia, vivo um dia diferente, com novas surpresas, nem sempre boas, mas que na média, estão acima das minhas expectativas.

Parece que tudo vai bem. E se não vai, há boas chances de que em semanas seja. Gosto disso. Não sei até quando isso vai, sempre dizem que depois de uma boa safra, há uma tempestade, mas prefiro não acreditar assim. Estou feliz por estar vivo e rodeado por pessoas que gosto bastante.

No meio dessa salada toda, eu perdi algo tão intríseco a mim: o meu pensar sobre eu mesmo. Perdi esse hábito que considero bom. Tudo passa tão rápido, a uma velocidade... talvez seja minha velhice. Sei lá. Às vezes lembro do comercial antigo da Chivas e lembro que poderia ser eu ali pescando no gelo da Antártida. Será?! Sei lá. Bem, vê o comercial ai. A música é ótima, chama-se: Mermaid Song, de Sarah Khider. Vai a letra e o comercial ai.



We could be together
Everyday together
We could sit forever
As loving waves spill over
The moon is fully risen
And shines over the sea
As you glide in my vision
The time is standing still
Don't shy away too long
This is a boundless dream
Come close to me my reason
I'll take you in my wings
We could be together
Everyday Forever
We belong together
Further seas and over
In the garden of the sea
I see you looking over
With my wistful melody
You leap into the water
It is no breaths sighing
This is the mermaid song
The singing of my sisters
The sea has drown for long

Mermaid Song
We could be together
Everyday together
We could sit forever
As loving waves spill over
We could be together
Everyday Forever

We could be together
Everyday together

Ah... parabéns para mim!!! =) e obrigado por tudo...

Tuesday, November 06, 2007

O desfecho do narrador...

"Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."

[Fernando Pessoa - Mar Portuguez]


Não descobri plenamente, mas minha doença consistia em uma série de sintomas que me arrastaram por toda a década de 70.

Primeiro, passei a ter Hepatite... bebia, mas não era muito... apenas Whisky. Isso foi em 1968. Aprofundou. Transformou-se em cirrose hepática. Tive vários problemas renais, arritmia e por último, a catarata em 1971, quando consegui cirugia nos Estados Unidos. Já morávamos lá, desde de janeiro de 1969. Consegui amainar as doenças que me consumiam. Passei a tomar remédios controlados, em 1973, para problemas psicológicos e minha mão treme muito ao tentar escrever essas duras linhas para você, meu caro leitor. Foi duro para Kathy me aturar todos esses anos. Pedi a internação. Encontro-me internado. Uns cinco anos num sanatório, sempre acompanhado por médicos; agora, mais uma vez, numa maca de um hospital. Tentando vencer doenças que consomem meu corpo e minha cabeça. Sofro por cinco anos, piorando dramaticamente.

Fiquei perambulando pelo sanatório do distrito do Queens. Por irônia, o sanatório chamava-se Charles' Hospice, em homenagem a Carlos II, rei da Inglaterra, esposo de Catarina de Bragança, daí, o nome do condado - Rainha.

Conheci vários loucos. Conheci uma porção deles. A primeira era engraçada. Protadora de distúrbio obsessivo-compulsivo tinha manias frequentes de agarrar-se a um urso de pelúcia que o namorado dava-lhe em verão de 1914. Sim, ela era muito velha e dormia com ele atestando ser seu amado eterno.

O segundo, travei um diálogo memorável, aliás, com todos eles houveram diálogos que me fizeram saber que meu problema não era uma psicose, neurose, nem doença orgânica... talvez, mais uma doença fisica, que não haviam descoberto. Perguntei para ele:

- What do you have?!
- Me?!
- Yes, you...
- I think I have some kind of mental illness...
- Of course, all of people, here, are said crazy, but I think some of them are it.
- No, all of us.
- I'm not crazy, I think have some of physic illness, not besides this.
- Wow... you think... it seems to me you aren't totaly crazy, because always ones said to me: "I'm not crazy, I'm fine"... you accepted some kind of illness... - sorriu ironicamente para mim...

Mas continuou:

- You probably have some type of... schizophrenia... maybe...
- Oh, merci, je pense que il est vrai... je suis Napoleon Bonaparte, n'est pas?! - Ele me deu de ombros e foi embora... corri até ele e toquei-lhe o ombro esquerdo, perguntando sobre a indiferença...

Ele prosseguiu:

- Well, if somebody arrives to you and said "I'm Napoleon..." what would you do?!
- I'm probably said to him that isn't it!!!
- If someone said to me this, I would say nothing...
- Why?!
- If I argued with him, I would be too crazy as him... - deu-me de ombros e foi embora... parabéns para ele, fazia todo o sentido aquela minha gracinha... aprendi a ser menos irônico naquele ambiente.

Mas como disse, surgiram vários diálogos que anotei em meus cadernos de notas para possíveis livros sobre isso. Atualmente, Katherine vem recebendo cada um deles e escrevendo em forma de livro...

* * * * * * *


Quando você olha para o vidro, observa chuva ou neve, sente o frio, o silêncio, não dá vontade de sair de casa... mas certas vezes, ao pensar sobre sua situação nesse extato momento, nesse exato instante, você pára e pensa: "por que estou aqui?", "por que quero sair daqui?", "o que há de tão interessante para eu querer sair daqui?", será a falta de algo?! será a falta da pátria?! ou simplesmente um desejo de não querer mais permanecer nesse quarto?! Mas o que fazer lá fora?! Saudades de alguém?! de quem?! Passei todo o dia 5 de novembro a pensar; e tudo começou por olha minha mão esquerda e aquela cicatriz no polegar... lembranças vieram do tempo de jovem, lembranças que não me destroem, mas me fortaleceram na noite fria e sombria do hospital do sanatório... dessa, só lembro minha visão sobre o parapeito da janela, e uma borda preta, em degradê, fechando o meu campo de visão lentamente, bem lentamente, depois, mais nada...

* * * * * * *


Hoje, dia 5 de novembro de 1978, enquanto lia o Washington Post, do lado de minha maca, o médico invade meu quarto, mais uma vez, como no Principado de Mônaco a vinte anos atrás... ainda lembro, apesar de minha memória estar se esgotando aos poucos nesses últimos dias daquela aventura mágica de fuga para o Brasil... anuncia outro problema para eu vencer: hemólise, destruição das hemácias... estou morrendo aos poucos e ainda não sei qual minha doença... voltei ao meu jornal, inconformado com a a medicina, com os políticos, com minha situação, com minha ex-mulher e com o mosquito que estava preso entre os dois vidros da janela, debatendo-se loucamente par sair do quarto e do Hospital, assim como eu clamava por vida e pelo ar do Central Park... estava chegando ao fim meu sofrimento...


[Apesar de estar longe do Central Park, as memórias dele continuavam vivas em minha cabeça... talvez, o meu desejo era sentar no banco que ficava perto da ruazinha que dava acesso a minha avenue, a quinta, perto do laguinho... o desejo era me definhar aqui, coberto, com os flocos de neve caindo sobre meu rosto e clamando por desejos finais...]

Friday, November 02, 2007

Aquele dia de Bartolomeu...

Morrer é duro. Sempre senti que a única recompensa dos mortos é não morrer nunca mais
[Nietzsche]



... o meu Impala chega ao fim da Avenida José Bonifácio a direita, tomando por inteiro a Rua José Reinaldo. Estaciono. Tomo o meu guarda-chuvas. Abro a porta. Abro o guarda-chuvas. Um carro qualquer preto passa molhando minha capa e os meus pés. Fecho a porta. Atravesso a frente do veículo, em direção a calçada. Alcanço-a. Subo os degraus, tomando a porta aberta, como de costume. Invado a casa. Procuro Bartolomeu na sala. Não o encontro. Vou ao quarto. Não o encontro. Dirijo-me a janela, vejo os pingos de chuva atingindo-a, fracos, sem vontade, batendo no vidro, escorrendo por esse material, até a esquadrilha, misturando-se a poça no parapeito de madeira de lei, jacarandá, acho... afasto-me. Viro-me a esquerda. Uma meia volta. Noto o guarda-roupas aberto, com uma das portas prensando uma roupa. Acredito que uma calça comprida. Aproximo-me. Abro a porta. Um corpo desaba no chão. Aos meus pés, com o rosto para o piso. Surpreendo-me. A cabeça ensanguentada tornava ainda mais vermelhos os seus cabelos castanho-avermelhados. Puxo-o pelos fios, noto a face familiar. Ponho o meu indicador e meu dedo médio direito sobre o pescoço. Não encontro pulsação. Bartolomeu estava morto.


* * * * * * *


Assim foi o dia 29 de Maio de 1958, na pequena Rua José Reinaldo. Duas viaturas policiais estacionadas chamavam toda a atenção da vizinhança. Contacto Katherine, e alguns minutos depois, ela vem numa terceira viatura, descendo em desespero, chorando interminavel e inconsolavelmente. Rubens partira para a Europa. Estávamos apenas nós dois. A menina perdera o pai que nunca conhecera direito a filha.

Acompanhei-a até o Instituto Médico Legal. O Hospital não mais cabia. Era necessário autópsia. Duas semanas depois, o laudo: lesões no pescoço, pernas, órgãos genitais e cabeça. Diziam lesão corporal. Para mim, tortura. Custou-me saber porque, mas Bartolomeu era ligado ao regime Fascista de Mussolini, o que causou alvoroço naquela pequena cidade, apesar de sua atividade silenciosa. O fato era que envolver a Interpol para localizá-lo, por intermédio de Clement, levou a revelá-lo a grupos rivais locais. Pena.

Antes das duas semanas, choros de Katherine. Tentativas de contato com a mãe, Christine Valentine Mond. Sem resposta. Provavelmente recebera a carta e sofrera, mas sem demonstrar. Mas desde então, mãe e filha nunca mais conseguiram se falar. Nunca mais...

O enterro foi realizado na mesma cidade, num cemitério local. Uma cerimômia curta e com padre católico, no dia 14 de Julho. Katherine tinha 17 anos e era de menor, sem tutela. Entrei com processo de tutela na Justiça. Em 1965, em nossa residência em Brasília, recebi o resultado em 1965, indeferido - pouco importava, ela atingia a maioridade.


* * * * * * *


Durante todos os anos seguintes, cuidei de Katherine. Catrina, como passei a chamá-la. Tornou-se uma filha para mim. Espacialmente no ano de 1960 e 61, passamos em Chicago. Estimulou-me a publicar meus livros, que recebera excelente elogios dela. Sabia que eram de pouco valor. Não consegui publicá-los. Nenhuma editora estrangeira aceitava, nem nacional.

- O público detesta romances psicológicos. De psicologia, apenas auto-ajuda...

Era o que sempre ouvia.

Voltamos ao Brasil em 62, após a Copa do Mundo que o Brasil ganhava. Rubens passou um tempo conosco. Tempo necessário para namorar Catrina por três meses, apenas três meses... viam-se todos os dias... terminaram por decisão de Catrina, infelizmente.

Infelizmente porque Rubens era o cara certo para Catrina, e Catrina, a mulher certa para Rubens; mas nem sempre duas peças do mesmo quebra-cabeça fazem sentido... era preciso esperar...

Enquanto isso, encontrei John Smile. O desgraçado, chamado de João Sorriso em Brasília (sim, moramos dois anos em Brasília, de 1963 a 1965, quando nos transferirmos para o Rio), apresentou-se para mim, sabendo de minha existência e nome. Fingi não conhecê-lo. Ficamos amigos. No primeiro porre da inauguração de um prédio público em Brasília, em 1964, levei ele para o mato e disparei as oito balas do calibre 38 que guardara de Bartolomeu, logo após ter feito o inventário do mesmo em 1959. Morrera. Joguei-o na primeira vala comum que encontrei, sem cerimônias para um verme de tamanha estirpe.

Mas também encontrei Rudolph. Outro que tinha ligações com João Sorriso. Tinha também trepado com minha mulher, por informações, claro. Na virada do ano de 1968, durante o festival de fogos, do calçadão de Copacabana, apunhalei uma faca em seu estômago, com todos presentes na praia de Copacabana olhando os lindos fogos que cruzavam o céu. Ele caiu, e todos pensaram que estava bêbado. Sai tranquilamente pelo calçadão; no dia seguinte, viajava para Nova Iorque com Katherine.

O mais importante não em si a vingança, mas a mudança de atitudes num ser humano é fundamental. Pensar que todos aqueles canalhas fizeram aquilo com minha mulher era de pouca importância se levasse em conta que pude colocar tudo num caminho de correção: eles precisavam de uma lição, e eu dei; mas confesso que não precisava ser eu que aplicasse a lição.

Mas voltando a Catrina, digo que foi a maior das minhas companhias... era meiga, era carinhosa, era branca, muito branca, lábios lindos, olhos pequenos, cabelos vermelhos da cor da cereja. Tinha gosto pelas artes, matriculei-a num curso de artes plásticas no ano de 1971, tinha trinta anos aquele linda menina. Eu, tinha 47. Aprendeu artes cênicas, também. Chegou a ser atriz, mas desistiu pelo gosto da escrita, não sei, mas provavelmente era de família, e eu tinha pouca influência nesse processo.

Acho que a arte beirava aquela que seria uma família, se tudo aquilo que acontecesse no dia 29 não tivesse acontecido. Sim. Talvez. Nesses dias, antes do fim da década de 60, pude constatar isso por meio de várias cartas lidas de Bartolomeu. Como dissera, pegava-as no armário, assim que o corpo caiu sobre meus pés. Aliás, diga-se de passagem, Bartolomeu sabia que lia suas correspondências, e, talvez, soubesse que um dia poderiam servir de algo, como para algum marinheiro de primeira viagem que não soubesse dos encantos das sereias e nem dos monstros que aboninávam o mar do sul do Cabo... Bartolomeu talvez fosse um gênio, mas fora covarde, talvez, tanto como eu fui um... mas aprendi, e isso é o que mais importa na vida de um homem, a mudança de atitudes...

Fechando esse bloco, lanço uma das mais importantes cartas de Bartolomeu que li... foram muitas, muitas sem sentido, muitas excessivamente emotivas e desmotivadas, Bartolomeu talvez tivesse ficado louco, ou enloqueceram Bartolomeu, mas a grande verdade é que ele impressiona a todos, talvez até ele mesmo, mesmo depois de morto...

"Trento, Itália, 2 de Novembro de 1943

Minha doce Christine,

Tudo poderia ser melhor, tudo poderia ser a mais louca e bela aventura de nossas almas nessa cidade mágica. Tudo, tudo mesmo! Mas, não foi, não é, e duvido que vai ser... a moldura quando se quebra, quebra e ponto! Ela era pronta e acabada para uma única tela, mas a moldura quebrou... ou quebraram?! Não convém eleger culpados... o problema é que nunca teve tela... no máximo uma gravura, um desenho, que imaginávamos existir, não é mesmo?! Que cruel! Imaginar é cruel demais... não quero nunca mais imaginar... nunca mais! Nunca imagine! Nunca sonhe! Nunca faça nada além do que está a luz de seus olhos. Há o perigo de tomar decisões em cima da hora, mas melhor assim. Do contrário, você vai querer sumir no azul infitino do mar... Droga! Imaginei de novo... o mar está a quilometros de distância daqui, em Mirnyj, e até queria ouvir as ondas quebrando nessa noite fria, bem fria, diga-se de passagem, enquanto escrevo..."

O mundo vive mudando e dando voltas. Aprendi isso com Bartolomeu. Os ventos nem sempre sopram para um lado; mas o mais importante é que as velas de nossa embarcação sempre podem ser içadas a fim de chegarmos ao destino que almejamos... Bartolomeu, mesmo louco, acho que você me ajuda. Ainda me ajuda...

* * * * * * *


Ajudou tanto quanto Katherine. Essa, principalmente, fisicamente. Ajudou-me em todas as etapas de minha doença terminal... eu passei a me definhar a partir de 1969... nessa data...

[Campanário, Trento - norte da Itália: as mais importantes batalhas brasileiras na Segunda Guerra Mundial fora realizada em Monte Castelo, norte da Itália. Lá Bartolomeu aprendeu o português, junto a amigos brasileiros. A cidade também é importante para a Igreja Católica, sendo nela realizado o Concílio de Trento, responsável pela Contra-Reforma.]