Wednesday, January 30, 2008

Decifrando o código

YEAH! Hoje é uma data histórica!!! A fase de decifrar o código do orientador se foi... era um verdadeiro código da Vinci! Tudo embananado e complicado, mas as forças do além e a vontade de fechar o mês bem na dissertação foram maiores que os contratempos. Quantos? Cinco mil e quinhentos e trinta e sete, só na primeira parte... mas agora só aumentam, mas pensa só: daqui a seis meses, eu serei mestre!!! Mestre-jedi, mestre-sala, mestre cuca, mestre de obra, grão-mestre,... all of it! E empregado! Certas vezes, penso que só faço as coisas erradas e tento e re-tento refaze-las para atingir a perfeição plena, mas sabe de uma coisa?! Não vou mais perder meu tempo! I don't give a damn! Nossa filosofia! Há outras filosofias que agora me guiam, mas essas eu não posso contar aqui, seria anti-estratégico. Aliás, "na Guerra, a verdade deve ser protegida por mentiras como guarda-costas", como dizia Churchill... vamos ver no que vai dar o plano...

Wednesday, January 16, 2008

Tchaikovsky

Quando eu cheguei em casa na madrugada do dia 16 para o dia 17, sentei-me na chaise do sofá branco da sala. Olhei e avistei um dos quadros franceses de minha mãe na parede e algo me veio a cabeça. Algo meio Revolução Francesa com Napoleão, enfim, uma coisa a ver. Imaginei se Napoleão tivesse enfrentado e ganho da Rússia do Czar Alexandre I, neto de Catarina, a Grande. Talvez a Revolução Francesa não tivesse sido Proclamada, talvez os ideais de liberdade, igualdade, fraternidade, presentes no Terceiro Estado Francês não tivessem inspirado os Pais dos Estados Unidos e hoje, ainda tivéssemos as trezes colônias pertencentes a Grã-Bretanha. Talvez, Tchaikovsky não tivesse composto uma das mais belas obras da música - 1812, Abertura. E isso que me liguei ao ver na biblioteca do meu Windows Media Player. Pus para tocar. Liguei o Home Theater da sala e deixei, em plena madrugada, o som invadir os meus ouvidos e aquela pintura francesa.

Em 1812, Napoleão tentou invadir a Rússia e se apropriar das riquezas daquele país, assim como fez Hitler, na Segunda Grande Guerra. Ambos fracassaram. Alexandre I, da inteligente casa dos Romanov, mandava seus exércitos recuarem e mandava a população por fogo nas casas e abandonarem as casas. Os exércitos de Napoleão ficavam na total penúria e no rigoroso inverno russo de 1812. Quando nada mais restava, Alexandre I mandava avançar e destroçar o pouco que restava de Napoleão Bonaparte.

Napoleão foi um grande líder, como um dia eu argumentei em classe, na oitava série (era uma espécie de julgamento de Napoleão e outros líderes, fui o advogado de defesa do francês), voltou a governar por cem dias, depois de assinar o Tratado de Fontainebleau. Fugitivo da Ilha de Elba, é derrotado pelos ingleses na Bélgica, em Waterloo e preso em definitivo na colônia penal Britânica de Santa Helena, no meio do Oceano Atlântico, entre o Brasil e a África. Deixou Josefina, seu grande amor, sem nenhum filho; mas casou-se com Maria Luisa da Áustria, tendo Napoleão II.

Mas sobre a orquestra de Tchaikovsky, posso dizer que o melodrama de escutar a Marseillaise, hino Nacional Francês, e uma parte do hino da Rússia Imperial, é fantástico. As salvas de canhão anunciando a virada russa, as perdas de Napoleão e o triunfo de um povo miserável e a míngua sobre uma civilização, pai e mãe de toda a tradição ocidental, a francesa. É incrivel. Embriaguei-me perto das caixas do home theater.

Um século depois, os Romanovs seriam substituídos pelos bolcheviques soviéticos e o país de russos se transformaria num União de 15 Repúblicas Soviéticas Socialistas. Mas a música de Tchaikovsky ainda lembra um passado distante daquele país...

Parte I

Parte II

Thursday, January 10, 2008

Aniversário de minha cachorra

Hoje a cachorra daqui faz 10 anos. Em 1998, ela nascia, e eu começava meu ensino médio. Tanta coisa veio nesses dez anos. Tanta coisa se construiu e se destruiu durante esse período. Isso me faz lembrar da destruição criativa de Schumpeter. Não que seja adepto, mas eu concordo nesse ponto. As coisas no mundo e na vivência das pessoas se constroem e depois se destroem para outras coisas mais modernas serem postas nos lugares de antes. É juízo de valor dizer que o telefone é mais bonito e rápido que o telégrafo. Alguns podem acreditar que as coisas antigas eram melhores que as atuais, como os saudosistas.

Assim, gosto de lembrar que uma cidade sofre transformações. Algumas partes dela se transformam e ficam mais modernas, mas não quer dizer que as partes antigas da mesma tenham perdido a graça. É como em Veneza. Transcrevo, para isso, as próprias palavras do Greenspan sobre o processo de destruição criativa em nossas vidas:

"E, então, chegamos a Veneza. Por mais necessária que seja a destruição criativa para a melhoria do padrão de vida material, não é à toa que alguns dos lugares mais atraentes do mundo são aqueles que menos mudaram ao longo dos séculos. Eu nunca tinha visitado a cidade e, como tantos outros viajantes antes de mim, fiquei absolutamente encantado. Nossa idéia era passear e fazer coisas absolutamente espontâneas. E, embora isso seja difícil quando se viaja com uma equipe de seguranças, não ficamos muito longe do nosso intuito. Comemos em cafés ao ar livre, fizemos compras, visitamos igrejas e fomos ao velho gueto judeu.

Durante séculos, a cidade-Estado de Veneza foi o centro do mundo comercial, ligando a Europa Ocidental ao Império Bizantino e ao resto do mundo conhecido. Depois do Renascimento, as rotas comerciais se deslocaram para o Atlântico e Veneza decaiu como potência marítima. No entanto, durante todo o século XVIII, Veneza continuou sendo a cidade mais sofisticada da Europa, centro da literatura, da arquitetura e das artes. "Então, que novidades há no Riato?", trecho famoso de O Mercador de Veneza, referindo-se ao centro comercial da cidade, ainda tange vibrante corda cosmopolita.

Hoje, o distrito de Rialto mantém a mesma aparência de quando os comerciantes descarregavam partidas de seda e de especiarias procedentes do Oriente. Pode-se dizer o mesmo dos esplêndidos palácios renascentistas, da Praça de São Marcos e de dezaenas de outras atrações. Não fossem as lanchas motorizadas - as vaporetti - dir-se-ia que se está no século XVII ou no século XVIII.

Enquanto passeávamos por um dos canais, o economista que se continha dentro de mim finalmente levou a pergunta. Perguntei a Andrea: "Qual será o valor agregado produzido nessa cidade?"

"Você está fazendo a pergunta errada", respondeu, e soltou uma risada.

"Mas toda essa cidade é um museu. Imagina o quanto custaria manter tudo isso."

Andrea parou e olhou para mim. "Você devia estar admirado como tudo isso é maravilhoso."

Evidentemente minha esposa estava certa. Mas a conversa serviu para cristalizar algo que havia meses eu ruminava num canto da mente.

Veneza, percebi, é a antítese da destruição criativa. ela existe para valorizar o passado - não para criar o futuro. [...] A popularidade de Veneza representa um dos pólos de um conflito da natureza humana: a luta entre o desejo de aumentar o bem-estar e o desejo de rejeitar a mudança e o estresse dela decorrentes."

Depois em passagem posterior, ele traça uma das mais belas frases, enaltecendo todo o caráter ruim das mudanças que ocorrem na frugalidade do dia-a-dia das pessoas, buscando status e poder, mas se esquecendo das pequenas coisas, do bucólico, do pastoril, da inocência, apelando para sempre um padrão de vida duro e metódico das grandes cidades cosmopolitas:

"[...] Nada é mais estressante que os ventos perenes da destruição criativa. O Vale do Silício é, sem dúvida, um lugar vibrante para trabalhar; mas eu diria que, até agora, seus encantos com estância para lua-de-mel não foi de modo reconhecido."

A minha cachorrinha passou dez anos comigo, e espero que mais dez anos ainda sejam possíveis, mas os efeitos da destruição criativa que passou em minha vida e de milhares de pessoas nesses anos é irreversível. Não há como se voltar atrás e a paisagem de um campo verde, com uma casinha de paredes brancas e telhado vermelho não é mais possível. O que guia a mente é o poder e o status, que, como dizia um amigo da Opus Dei: "- para depois encerrarmos num canto da lagoa e voltarmos a pescar"... buscamos tanto suporte, tanto status e poder, para chegarmos a idade de 70 anos para desfrutar o que temos hoje, saudosos dos velhos tempos da escassez...

Feliz Aniversário.

Sunday, January 06, 2008

Exuberância Irracional

Maximizar a utilidade dada as restrições. Nunca algo tão útil pareceu tão bem explicado. Tomar uma função de utilidade duas vezes diferenciável, separável, aproximá-la por uma linear quadrática, inserindo as restrições lineares dentro de seu argumento, é a coisa mais racional e lógica que se pode fazer. Tomei um funcional de Bellman, em que nele estava explicito tudo isso. O problema de tudo está em jogar isso para o computador. Por incrível que pareça, os computadores não trabalham na reta, mas com aproximações de números, de tal monta que seja possível obter resultados.

Pelos meus cálculos, minha meta é acertar tudo até março para enviar para uma revista de nome. Depois, queria trabalhar com finanças, talvez. Preciso de incentivos. Cada vez mais descubro que a humanidade funciona assim e que o sistema de preços é o melhor locus para a alocação de recursos escassos. Mas o livro do Greenspan vem me inspirando, aliás, ele mesmo me inspira. Estou particularmente interessado em como a Rússia deflagrou-se numa máfia generalizada devido a entrega do governo aos operários as ações de empresas estatais e o uso disso pelo mercado negro e mafiosos para enriquecimento ilícito e a falta de aparato institucional para enquadrá-los.

Como é viver numa sociedade sem direitos de propriedade, ou quando tudo depende e pertence ao Estado? Não invisto, não compro, não faço nada, porque nada é meu nem alguém. Tudo carece de sentido lógico quando pensamos que a passagem de um regime econômico socialista para uma economia de mercado é simples como o inverso. E não é.

A China, nesse aspecto, terá dificuldades. Mas estão se preparando. Os superávits que a mesma vem tendo indica um soft landing, ameaçando seriamente os Estados Unidos e a segurança do Dollar. As reservas chinesas estão em moeda americana e aplicadas em títulos americanos da dívida interna. Imagine se os chineses resolvem aplicar em empresas?! É o que está acontecendo. Os Fundos de Riqueza Soberana são uma realidada que incomoda os americanos por ameaçar de compra de empresas tradicionais dos EUA. Imaginem os chineses comprando o Citigroup, ou o Mahnattan Chase... é dureza. Mas eles estão tão certos quando a AOL comprou a Time Warner. Quando a bolha das pontocom explodiu, a AOL riu, pois agora ela ativos tão reais e punjantes quanto o mercado acredita. É como se a Google comprasse a General Motors. Ativos, como memórias de computador e chips, comprando metal e aço. Parece realmente que a caneta é mais forte que a espada, como se diz no ditado popular.

Vamos ver até onde vai nossa exuberância irracional. Ou racional?!