Monday, July 03, 2006

Mario Quintana... nossa lembrança....

"Se um poeta consegue expressar a sua infelicidade com toda a felicidade, como é que poderá ser infeliz?"
[Mário Quintana]


Um passarinho me disse que não devia escrever tanto, pois assim não teria inspiração para expressar tudo o que se sente, tudo que se passa, mas tudo isso é uma meia verdade. As palavras existem e estão para nos servirem, em qualquer momento, para nos expressar; que diga acima, na epígrafe motivadora desse post, do nosso saudoso Mario Quintana, poeta brasileiro, gaúcho de Alegrete, que completou no último dia 30 de junho, cem anos do aniversário de nascimento. Mas não sou um poeta... por isso escrevo:

Não, não somos poetas o suficiente para
conseguirmos expressar todos
nossos sentimentos, nossas infelicidades,
com toda a felicidade do mundo. Não,
não somos capazes.
Somos infelizes, então...

Mas mesmo assim continuo: quem tenta um poema, mesmo sem rima rica, pobre ou qualquer que seja, inda sim, abre uma janela, como dizia o mestre... sim, abre uma janela, ou pelo menos tenta-se abrir uma janela, mas não quaisquer... sim, aquela que tem a mais bela das paisagens, o mais belo dos céus, o mais bucólico dos campos... é verdade... mas não se consegue... tenta-se, mas não se consegue; os ventos fortes fecham-na em nosso rosto e ficamos a espera daquela paisagem... mas venhamos, se inda sim não conseguimos, nada se perde, o sonho pode sim passar, com o tempo, o mesmo vento que fecha a janela, leva tudo... tudo mesmo... e ficam apenas as cartas, ali, postadas, sem significado, caladas, que só você podia decifrá-las, e mesmo assim, não quis... ficam os bilhetes, ficam as palavras inertes para qualquer um admirar e se inspirar, assim como me inspiro no grande mestre. E por falar em bilhetes de um grande mestre, fica um, que talvez mais me inspirou para te escrever hoje, passarinho, do que a epígrafe acima.

Bilhete
"Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres, enfim, tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda... "
[Mário Quintana]