Sunday, July 08, 2007

Produtos da balada...

"Se sonhar um pouco é perigoso, a solução não é sonhar menos e sim sonhar mais".
Marcel Proust
"Eu sonhei com você ontem, era na sua casa, mas não era bem sua casa, falava com sua mãe, mas ela tinha uma face diferente..." Bem, ouvir alguém falar de um sonho assim é perfeitamente normal dado que nossos sonhos não possuem pé ou cabeça. Contudo, não desprezemos totalmente seus significados. Os sonhos são linguagens que ainda não conseguimos entender por ainda não dominarmos sua estrutura interpretativa. É como tentar ler um papiro de hierógrifos e não entende-lo. Nesse sentido, lembro um livro recente, "Quando Nieztche chorou". Apesar de ser uma ficção, em uma das passagens, Dr Breuer revela um dos sonhos que teve a Freud, em que caia incessantemente abaixo da terra durante 40 metros! E depois deparava-se diante de uma placa de mármore, uma lápide, que não conseguia ler o que estava escrito. Freud, entendendo o que se passava na vida do amigo Dr interpretou os 40 metros como seus quarenta anos recém feitos e a lápide como um indicativo de que algo novo estava por vir, bastava ele apenas mudar a direção de sua vida. De fato, Breuer estava diante de decisões nunca antes percebidas e a interpretação sugeriu um desafio para Freud e o nascimento da escola da Psicanálise.

Em bem verdade, não apenas a Psicanálise Freudiana, mas também Carl Jung imaginam que os sonhos são manifestações do subconsciente, da Id para Freud; e da anima/animus e sombra, para Jung. Durante o sono, aspectos reprimidos por costumes, ética são liberados nos sonhos, sendo, portanto, estranhos quando analisamos.

No nosso dia-a-dia, nosso Id está constantemente sendo reprimido por nosso superego, parte do subconciente que contém os costumes, tradições, ética, moral... mas como se explica a famosa história do ex-Beatle Paul McCartney de sonhar com a famosa melodia de 'Yesterday'?! Segundo o que se conta, no dia anterior a composição do som, Paul sonhou com o quê seria uma das mais famosas canções tocadas pelo quarteto de Liverpool... é... há mais coisas entre o dormir e o acordar que a nossa vã filosofia/psicologia pode tentar teorizar... façam suas teorias!


The dream, by Pierre-Cécile Puvis de Chavannes, 1883

Walters Art Museum, Baltimore