Saturday, April 21, 2007

A vida, a psicanálise, a filosofia...

"A essência da felicidade é não ter medo."

[Nietzsche]

Se ainda fosse Viena! Ahh... mas não era! Que seja em Paris em 1921! Não que não goste de franceses, mas que nossa discussão seria mais adequada na Áustria do que em qualquer outra localidade! Era um sábado de abril, claro, mas não ensolarado... nublado?! Não, nem tanto... um tanto frio, um tanto quente... a torre e os seus pintores adjacentes nos faziam um tanto de sobra naquele lindo gramado. Ahh, sim! Tinha uma árvore, iluminada em plena luz do dia! Uma luz que saia da terra, decerto! Mas estávamos ali, embaixo da árvore, minha amiga e eu.

Sobre a vida começo. Não sobre a vida num sentido genérico! Mas sobre minha vida! Inspirava-me a árvore em que estávamos. Certamente meu subconsciente se lembrava de tal figura: ali sentado e filosofando - mas como dizia a ela: "não essas filosofias bestas desses filósofos idiotas! Mas de NOSSA filosofia!" Ali estávamos, ali permanecemos. A filosofia era da vida...

Qual é a razão de estarmos aqui?! Qual é o seu sentido?! Quando devemos ter medo da morte?! Não há uma resposta completa e acabada... não há uma verdade... dizia... há apenas nossa especulação - completava... ela me respondia perfeitamente, falava que de medo da morte não tinha, decerto por ter vivido tudo o que desejava... as pessoas têm medo quando não completaram um ciclo da vida, não completaram o que desejariam viver! - Retrucava eu. Assemelha-se a uma laranja, depois de extrair o último suco, serve para nada... Mas para onde iremos?! Para onde vai esse bagaço?!

Depois de viver uma longa vida, cheia de aventuras, cheia de aflições, cheia de conversas diversas, beijos ardentes, poesias sem rima, encontros e desencontros, estudos, leituras, aprendizado... para onde vai toda essa nossa energia?! Lavoisier disse que nada se perde, tudo se transforma... e então?! Esse nosso conhecimento, essa energia para aonde vai?! Em forma humana ou não-humana, perguntara eu.

E os sonhos... emendava... nossos sonhos... são eles resultado dessa energia passada ter se convertido em energia humana renovada?!?! Por que naquele exato instante eu sentia-me em casa ao ter sentado ao seu lado e embaixo daquela árvore?! Já tinha vivido aquilo?! Será que uma vez que vivenciamos experiências, elas se repassam a outras pessoas sem ao menos termos conversado com elas, como dizia minha querida?! Muitas perguntas, para poucas respostas, certamente... mas... a junção do valor da vida, as explicações da psicologia, e da filosofia de Nietzsche ajudaram em alguns insights do que poderíamos entender desse circo o qual pertencemos...

Termina ali nosso jantar filosófico, na relva... ajudo ela se levantar, a se livrar dos bichinhos que a picavam, e caminhamos juntos naquele dia quente que era noite fria, que estava com A Estrela; mas O Sol A aquecia num banco público onde, a linda Lua clamava por uma linda estória e que o Sol não possuia; mas que, agora, acaba de contar a você leitor.

[Dejeuner Sur l'herbe - Édouard Manet, 1863]