Wednesday, December 05, 2007

Pequeno pássaro


Era uma quarta. E do alto de meu telhado, aquele que emcobre minha varanda, um ser cai. Ele é pequeno. Voa baixo. Incomoda alguns que dormem após o almoço, na rede. Eu, deito-me na sala, na tapete. Escuto o pedido de ajuda. Ignoro. Volto aos meus pensamentos, minhas preocupações. Todos saem para trabalhar. Fico em casa. Escuto o pedido de ajuda. Mais uma vez. Levanto-me. Debatendo-se no chão, um pequeno pássaro. Pequeno mesmo. Com seu vôo pequeno, rasteiro, passeia sobre a varanda. Tento pegá-lo e consigo. Berro. Berro para ver que consegui pegá-lo. Minha imrã chega e vê, toma de minhas mãos e começa a cuidar dele. Põe numa caixa furada, de papelão, com papa e começa a criá-lo. São quatro dias. Quatro dias de paixão, pouco, realmente pouco. Os cuidados não são suficientes. No sábado, fazendo o almoço, não escuto mais o seu pedido de ajuda. Atendo o telefone, volto a cozinhar.

Minha irmã chega. Abre uma aba da caixa e depois outra. Nota que naquele ninhozinho que armara para aconchegar os dois filhotes, sim, dois filhotes, pois o segundo também fora abandonado pela mãe, no ninho que havia no meu telhado. Ela tomou os dois para criar, deu nome a ambos, Juvenal e Joaquim. Juvenal era sempre mais arisco, não deixava abrir o bico para tomar a papa na seringa; Joaquim aceitava com menor resistência.

Mas quando olhou aquele ninho, como dizia, eles não mais se mexiam. Estavam duros. Ela grita. Aproximo-me. Passo a mão sobre sua cabeça, abraço-a. Até eu, sem muito sentimento, sem muito a entender o que significava aquilo tudo, sinto a dor de minha irmã.

No jardim de casa, eles são enterrados.