Monday, December 31, 2007

Vai velho, vai!

É assim todo fim de ano! O velho vai e o novo chega. É na verdade uma passagem de um dia para outro, nada além. Contudo, é também de um mês para outro, e de um ano para outro, sendo um marco, para muitos, para mudar... sim, tomar novos ares, nova vida, novo emprego, tudo novo... acontece que as coisas só são novas se quisermos que sejam novas. Tem que acreditar e tomar atitudes em direção ao novo, mesmo que, para isso, seja necessário negar o velho. Não nego o velho, pois ele me ajudou a viver de uma forma diferente, engraçada e as experiências ficam, sempre! Agora, são coisas novas que aparecem, mesmo que não mais tenha que negar o velho. Não me sinto a pessoa mais feliz do mundo por isso, até porque estaria mentido em dizer isso, dado que a felicidade plena não é possível, mas estou alegre, pois o momento me diz isso... como estou sofrendo uma sucessão de momentos de alegrias, talvez, a felicidade seja permanente para mim em breve... as coisas apontam nisso, o meu barco tomou o rumo certo...

Feliz 2008 e obrigado todos vocês que tem me acompanhado aqui no Blog. Atingi minha meta quantitativa de 1000 visitantes, e isso foi ótimo. Um dia escrevo para dizer o que aconteceu de novo, por hora, vou deixar rolar, porque assim está ótimo!

Wednesday, December 26, 2007

Natal


Amados irmãos e irmãs,

“Chegou o dia de Maria dar à luz, e teve o seu filho primogênito. Envolveu-O em panos e recostou-O numa manjedoura, por não terem lugar na hospedaria” (cf. Luc dois, 6-7). Estas frases não cessam de tocar os nossos corações. Chegou o momento que o Anjo tinha preanunciado em Nazaré: “azede dar à luz um filho, ao qual porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo” (cf. Luc 1, 31-32). Chegou o momento que Israel aguardava há muitos séculos, durante tantas horas sombrias – o momento de algum modo esperado por toda a humanidade, ainda que sob figuras confusas: que Deus viesse cuidar de nós, que saísse do seu esconderijo, que o mundo fosse salvo e tudo se renovasse. Podemos imaginar com quanto cuidado interior, com quanto amor Se preparou Maria para aquela hora. A breve anotação “envolveu-O em panos” deixa-nos intuir algo da santa alegria e do zelo silencioso de tal preparação. Estavam prontos os panos, para que o Menino pudesse ser bem acolhido. Na hospedaria, porém, não havia lugar. De algum modo a humanidade espera Deus, a sua proximidade. Mas quando chega o momento, não tem lugar para Ele. Está tão ocupada consigo mesma, sente necessidade tão imperiosa de todo o espaço e de todo o tempo para as próprias coisas, que não resta nada para o outro: para o próximo, para o pobre, para Deus. E quanto mais ricos se tornam os homens, tanto mais preenchem tudo de si mesmos. Tanto menos pode entrar o outro.

João, no seu Evangelho, fixando-se no essencial, aprofundou a breve notícia de São Lucas sobre a situação de Belém: “Veio para o que era Seu, e os Seus não O acolheram” (1, 11). Isto se aplica antes de tudo, a Belém: o Filho de David vem à sua cidade, mas tem de nascer num curral, porque, na hospedaria, não há lugar para Ele. Aplica-se depois a Israel: o enviado chega junto dos Seus, mas não O querem. Na realidade aplica-se à humanidade inteira: Aquele por Quem o mundo foi feito, o Verbo criador primordial entra no mundo, mas não é ouvido, não é acolhido.

Em última análise, estas palavras aplicam-se a nós, a cada individuo e à sociedade no seu todo. Temos nós tempo para o próximo que necessita da nossa, da minha palavra, do meu afeto? Para o doente que precisa de ajuda? Para o prófugo ou o refugiado que procura asilo? Temos nós tempo e espaço para Deus? Pode Ele entrar na nossa vida? Encontra um espaço em nós, ou temos todos os espaços do nosso pensamento, da nossa ação, da nossa vida ocupados para nós mesmos?

Graças a Deus, a notícia negativa não é a única, nem a última que encontramos no Evangelho. Tal como encontramos em Lucas o amor de Maria, a mãe, e a fidelidade de São José, a vigilância dos pastores e a sua grande alegria, tal como encontramos em Mateus a visita dos doutos Magos, vindos de longe, assim também João nos diz: “Mas, a quantos O receberam, deu-lhes poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1, 12). Existem aqueles que O acolhem e deste modo, a começar do curral, do exterior, cresce silenciosamente a nova casa, a nova cidade, o novo mundo. A mensagem de Natal leva-nos a reconhecer a escuridão dum mundo fechado, e deste modo clarifica sem dúvida uma realidade que vemos diariamente. Mas isto diz-nos também que Deus não Se deixa fechar fora. Ele encontra um espaço, entrando nem que seja para o curral; existem homens que vêem a sua luz e a transmitem. Através da palavra do Evangelho, o Anjo fala-nos também a nós, e, na liturgia sagrada, a luz do Redentor entra na nossa vida. Quer sejamos pastores quer sejamos sábios, a luz e a sua mensagem convidam-nos para nos pormos a caminho, sairmos da mesquinhez dos nossos desejos e interesses a fim de irmos ao encontro do Senhor e adorá-Lo. Adoramo-Lo abrindo o mundo à verdade, ao bem, a Cristo, ao serviço de quantos vivem marginalizados e nos quais Ele nos espera.

Nalgumas representações natalícias da Baixa Idade Média e princípios da Idade Moderna, o curral aparece como um palácio arruinado. Ainda se pode reconhecer a grandeza de outrora, mas agora foi à ruína, as paredes caíram: tornou-se, isso mesmo, um curral. Embora não tendo qualquer base histórica, esta interpretação, no seu aspecto metafórico, exprime contudo algo da verdade que se encerra no mistério do Natal. O trono de David, para o qual estava prometida uma duração eterna, encontra-se vazio. Outros dominam sobre a Terra Santa. José, o descendente de David, é um simples artesão; na realidade, o palácio tornou-se uma cabana. O próprio David começara por ser pastor. Quando Samuel o procurou para a unção, parecia impossível e absurdo que semelhante jovem-pastor pudesse tornar-se o portador da promessa de Israel. No curral de Belém, lá precisamente onde se verificara o ponto de partida, recomeça a realeza davídica de maneira nova: naquele Menino envolvido em panos e recostado numa manjedoura. O novo trono, donde este David atrairá a Si o mundo, é a Cruz. O novo trono – a Cruz – é o termo correlativo ao novo início no curral. Mas é assim mesmo que se constrói o verdadeiro palácio davídico, a verdadeira realeza. Este novo palácio é muito diverso do modo como os homens imaginam um palácio e o poder real: é a comunidade daqueles que se deixam atrair pelo amor de Cristo e, com Ele, se tornam um só corpo, uma humanidade nova. O poder que provém da Cruz, o poder da bondade que se dá: tal é a verdadeira realeza. O curral torna-se palácio: é precisamente a partir deste início que Jesus edifica a grande comunidade nova, cuja palavra-chave os Anjos cantam na hora do seu nascimento: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens que Ele ama”, ou seja, homens que depõem a sua vontade na d”Ele, tornando-se assim homens de Deus, homens novos, mundo novo.

Gregório de Nissa, nas suas homilias natalícias, desenvolveu a mesma idéia a partir da mensagem de Natal do Evangelho de João: “Levantou a sua tenda no meio de nós” (Jo 1, 14). Gregório aplica esta imagem da tenda ao nosso corpo, que ficou como tenda consumida e frágil; exposto por todo o lado à dor e ao sofrimento. E aplica-a ao universo inteiro lacerado e desfigurado pelo pecado. E que diria ele, se tivesse visto as condições em que hoje se encontra a terra por causa do abuso das energias e da sua exploração egoísta e sem respeito algum? Uma vez, de maneira quase profética, Anselmo de Cantuária descreveu antecipadamente aquilo que vemos hoje num mundo inquinado e ameaçado no seu futuro: “Tudo estava como que morto, tinha perdido a dignidade para que tinha sido feito, ou seja, para servir aqueles que louvam a Deus. Os elementos do mundo estavam oprimidos, tinham perdido o seu esplendor por causa do abuso de quantos os tornavam servos dos seus ídolos, para o quais não tinham sido criados” (PL 158, 955s). Assim, retomando a perspectiva de Gregório, o curral na mensagem de Natal representa a terra maltratada. Cristo não reconstrói um palácio qualquer. Veio para restituir à criação, ao universo a sua beleza e dignidade: é isto que tem início no Natal e faz rejubilar os Anjos. A terra é posta de novo em ordem pelo fato de ser aberta a Deus, de obter novamente a sua verdadeira luz, e, na sintonia entre querer humano e querer divino, na unificação das alturas com a realidade cá de baixo, recupera a sua beleza, a sua dignidade. Deste modo, o Natal é uma festa da criação reconstruída. É a partir deste contexto que os Padres interpretam o canto dos Anjos na Noite santa: é a expressão da alegria pelo fato de as alturas e a realidade cá de baixo, céu e terra se encontrarem novamente unidos; de o homem estar de novo unido a Deus. Segundo os Padres, faz parte do canto natalício dos Anjos que, agora, Anjos e homens possam cantar juntos e que, deste modo, a beleza do universo se exprima na beleza do canto de louvor. O canto litúrgico – sempre segundo os Padres – possui uma dignidade própria particular pelo fato de ser um cantar juntamente com os coros celestes. É o encontro com Jesus Cristo que nos torna capazes de ouvir o canto dos Anjos, criando assim a verdadeira música que decai quando perdemos este “cantar com” e “ouvir com”.

Na gruta de Belém, tocam-se céu e terra. O céu veio à terra. Por isso, de lá emana uma luz para todos os tempos; por isso lá se acende a alegria; por isso lá nasce o canto. Quero, no termo da nossa meditação natalícia, citar uma singular afirmação de Santo Agostinho. Ao interpretar a invocação da Oração do Senhor “Pai Nosso que estais nos céus”, ele interroga-se: O que é isto, o céu? E onde é o céu? Segue-se uma resposta surpreendente: “…que estais nos céus – isto significa: nos santos e nos justos. Temos, é verdade, os céus, os corpos mais elevados do universo, mas sempre corpos são, os quais não podem estar senão num lugar. Na realidade, se se acreditasse que o lugar de Deus seria nos céus enquanto as partes mais altas do mundo, então as aves seriam mais felizardas do que nós, porque viveriam mais perto de Deus. Ora não está escrito: “O Senhor está perto de quantos habitam nas alturas ou nas montanhas”, mas sim “O Senhor está perto dos contritos de coração” (Sal 34/33, 19), expressão esta que se refere à humildade. Do mesmo modo que o pecador é chamado “terra”, por contraposição também o justo pode ser chamado “céu”" (Serm. in monte II 5, 17). O céu não pertence à geografia do espaço, mas à geografia do coração. E o coração de Deus, na Noite santa, inclinou-Se até ao curral: a humildade de Deus é o céu. E se formos ao encontro desta humildade, então tocamos o céu. Então a própria terra se torna nova. Com a humildade dos pastores, ponhamo-nos a caminho, nesta Noite santa, até junto do Menino no curral! Toquemos a humildade de Deus, o coração de Deus! Então a sua alegria tocar-nos-á a nós e tornará mais luminoso o mundo. Amém.”


Homilía do Santo Padre na Missa do Galo, Cidade do Vaticano (Itália).

Monday, December 17, 2007

maçã, maçã, maçã...



The sea it swells like a sore head and the night it is aching
Two lovers lie with no sheets on their bed
And the day it is breaking

On rainy days we'd go swimming out
On rainy days swimming in the sound
On rainy days we'd go swimming out

Chorus:
You're in my mind all of the time
I know that's not enough
If the sky can crack there must be someway back
For love and only love
Electrical storm (x3)
Baby don't cry

Car alarm won't let you back to sleep
You're kept awake dreaming someone elses dream
Coffee is cold but it'll get you through
Compromise that's nothing new to you
Let's see colours that have never been seen
Let's go to places no one else has been

Chorus

It's hot as hell, honey in this room
Sure hope the weather will break soon
The air is heavy, heavy as a truck
We need the rain to wash away our bad luck

You're in my mind all of the time
I know that's not enough
Well if the sky can crack there must be some way back
To love and only love
Electrical storm (x3)
Baby don't cry (x3)

Friday, December 07, 2007

Quinta-feira negra



Hoje meu dia foi trivial. Trivial?! Sim, trivial. Quando eu estudava na UnB, eu fiz muitas matérias de exatas do Departamento de Matemática eu tinha um Professor Gordo, sim, gordo. Não vou falar gordinho porque isso é coisa de boiola. Ele usava óculos redondos e olhava-me com desconfiança. Aliás, todo mundo. "Você é da Economia?! Está fazendo EDO (equações diferenciais ordinárias)?! No verão?! Vc não tem o que fazer?!" isso quando eu não escutava "Você quer repetir?!"... eu tive que mostrar para engenheiros, os caras da computação, da matemática que eu estava em pé de igualdade... no fim, fiquei com média 11,5, de 10... foi a mais alta nota e ganhei a simpatia do meu Professor. Nunca mais o vi.

Mas por que hoje foi 'trivial'?! Porque toda vez que o Sr Novaes demonstrava um teorema difícil, ele dizia para mim, "é trivial isso, Raphael!" e lá ia eu quebrar a cabeça a tarde toda, às vezes, a semana toda para demonstrar... bons tempos, verão de 2004... as coisas eram simples naquela época.

Hoje foi um dia difícil. Eu passei mal a manhã toda, comi demais no lanche do curso e misturei café (sim, eu estou bebendo uma quantidade de uns 8 copos descatáveis por dia para me manter vivo) com água. Não é muito bom! Mas estou vivo. Eu aprendi uma coisa muito legal no curso hoje: mercado financeiro. Aprendi sobre 'risco'. O que é risco?! Vou explicar: você tem uma moeda, lança para cima, se der cara, eu ganho 10 reais, se der coroa, você ganha dez reais meus. Isso é arriscado. Na média, se lançar inúmeras vezes a moeda, deveria ganhar nada. Mas posso perder sucessivamente... isso é risco!

Na vida corremos riscos. Atravessar uma rua é arriscar a vida. Fazer a mega-sena, é arriscar a perder. Fazer uma viagem, é arriscar a se divertir. Lançar-se na piscina, é arriscar a se molhar, por mais que seja certo de se molhar! Mas enfim, risco é isso... no mercado financeiro, diz-se que "devemos comprar na baixa uma ação e vender quando estiver valorizada, tendo lucro", mas podemos arriscar erroneamente e perder. Quando tomamos um investimento arriscado demais (aquele que estamos prestes a perder), dizemos que operamos 'alavancado'. O contrário, é fazer 'hedge'.

Na minha vida, sempre operei alavancado. Eu me dei muito bem nas minha operações. Ganhar prêmios, passar em provas, conhecer pessoas, viver perigosamente e ganhar muito. Eu queria operar em 'hedge', mas quando operamos em 'hedge', ganhamos pouco... eu vou arriscar mais uma vez, eu vou me lançar num investimento de risco, será que ganho?! Será um bom presente de Papai-Noel... mas o Papai-Noel não costuma me dar o que eu quero... não sou ingrato, sou exigente!

Bem, deixa o Papai-Noel quieto por hora, depois eu digo minha lista de presentes... mas eu vou tomar risco... eu não posso fazer mais nada... vou tomar emprestado um texto meu, que tinha no meu antigo fotolog:

"Chega a determinado momento do jogo em que pequenas apostas não mais assustam ninguém na mesa... as apostas dos adversários são grandes e ganha quem mais pode por em jogo na mesa... de fato, as apostas parecem pequenas para o que se pode obter quando se ganha! É preciso ter ousadia assustar os presentes na mesa, num lance único, e ganhar o prêmio da noite... perder?! Sim, há esse risco... mas o que seria de nós se não existissem pessoas que são ousadas o suficiente para vencer?! Nada! Porque arriscar é viver...

"Rir é arriscar-se a parecer louco.
Chorar é arriscar-se a parecer sentimental.
Estender a mão para o outro é arriscar-se a se envolver.
Expor seus sentimentos é arriscar-se a expor seu eu verdadeiro.
Amar é arriscar-se a não ser amado.
Expor suas idéias e sonhos ao público é arriscar-se a perder.
Viver é arriscar-se a morrer.
Ter esperança é arriscar-se a sofrer decepção.
Tentar é arriscar-se a falhar.
Mas… é preciso correr riscos.
Porque o maior azar da vida é não arriscar nada…
Pessoas que não arriscam, que nada fazem, nada são.
Podem estar evitando o sofrimento e a tristeza.
Mas assim não podem aprender, sentir, crescer, mudar, amar, viver…
Acorrentadas às suas atitudes, são escravas;
Abrem mão de sua liberdade.
Só a pessoa que se arrisca é livre…
“Arriscar-se é perder o pé por algum tempo
Não se arriscar é perder a vida…” ""

Eu tenho dois àses e estamos na última rodada de apostas. O que você faria?! Eu vou apostar tudo e ver se ganho com uma dupla, é tudo o que tenho. Mas o importante é arriscar... vamos de quanto eu perco...

Wednesday, December 05, 2007

Pequeno pássaro


Era uma quarta. E do alto de meu telhado, aquele que emcobre minha varanda, um ser cai. Ele é pequeno. Voa baixo. Incomoda alguns que dormem após o almoço, na rede. Eu, deito-me na sala, na tapete. Escuto o pedido de ajuda. Ignoro. Volto aos meus pensamentos, minhas preocupações. Todos saem para trabalhar. Fico em casa. Escuto o pedido de ajuda. Mais uma vez. Levanto-me. Debatendo-se no chão, um pequeno pássaro. Pequeno mesmo. Com seu vôo pequeno, rasteiro, passeia sobre a varanda. Tento pegá-lo e consigo. Berro. Berro para ver que consegui pegá-lo. Minha imrã chega e vê, toma de minhas mãos e começa a cuidar dele. Põe numa caixa furada, de papelão, com papa e começa a criá-lo. São quatro dias. Quatro dias de paixão, pouco, realmente pouco. Os cuidados não são suficientes. No sábado, fazendo o almoço, não escuto mais o seu pedido de ajuda. Atendo o telefone, volto a cozinhar.

Minha irmã chega. Abre uma aba da caixa e depois outra. Nota que naquele ninhozinho que armara para aconchegar os dois filhotes, sim, dois filhotes, pois o segundo também fora abandonado pela mãe, no ninho que havia no meu telhado. Ela tomou os dois para criar, deu nome a ambos, Juvenal e Joaquim. Juvenal era sempre mais arisco, não deixava abrir o bico para tomar a papa na seringa; Joaquim aceitava com menor resistência.

Mas quando olhou aquele ninho, como dizia, eles não mais se mexiam. Estavam duros. Ela grita. Aproximo-me. Passo a mão sobre sua cabeça, abraço-a. Até eu, sem muito sentimento, sem muito a entender o que significava aquilo tudo, sinto a dor de minha irmã.

No jardim de casa, eles são enterrados.

Sunday, December 02, 2007

I'm singing in the rain!!!

Está acabando o ano. 2007 foi muito bom para mim, e na verdade, eu tenho motivos ainda para que ele acabe; e estou contando os dias para isso [faltam 29!], principalmente a virada... o ano que vem tem tudo para ser melhor ainda... mas enquanto ele não chega, eu canto e danço igual o Gene, na chuva mesmo, with a happy refrain!

Thursday, November 29, 2007

Tão seu




Tão Seu
Skank
Composição: Samuel Rosa / Chico Amaral

Sinto sua falta
Não posso esperar
Tanto tempo assim
O nosso amor é novo
É o velho amor ainda e sempre...

Não diga que não vem me ver
De noite eu quero descansar
Ir ao cinema com você
Um filme à tôa no Pathé...

Que culpa a gente tem
De ser feliz
Que culpa a gente tem
Meu bem!
O mundo bem diante do nariz
Feliz aqui e não além...

Eh! Eh!
Me sinto só, me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão, me sinto só
E sou teu!
Me sinto só, me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão, me sinto só
E sou teu!...

Faço tanta coisa
Pensando no momento de te ver
A minha casa sem você é triste
A espera arde sem me aquecer...

Não diga que você não volta
Eu não vou conseguir dormir
À noite eu quero descansar
Sair à tôa por aí...

Eh! Eh! Oh! Oh!
Me sinto só, me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão, me sinto só
E sou teu!
Me sinto só, me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão, me sinto só
E sou teu!
Oh! Oh! Oh! Eh! Eh!...

Sinto sua falta
Não posso esperar
Tanto tempo assim
O nosso amor é novo
É o velho amor ainda e sempre...

Que culpa a gente tem
De ser feliz
Eu digo eles ou nós dois
O mundo bem diante do nariz
Feliz agora e não depois...

Eh! Eh!
Me sinto só, me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão, me sinto só
E sou teu!
Me sinto só, me sinto só
Me sinto tão seu
Me sinto tão, me sinto só
E sou teu!
Oh! Oh! Oh! Eh! Eh!...

Monday, November 26, 2007

Per la Famiglia, sempre!


Hoje a Madrinha faz anos! A um tempão comemoramos juntos essa data importante que me faz lembrar de uma série de situações muito importantes na minha vida. Quero escrever para ela, porque ela é uma pessoa muito importante na minha vida, quase uma irmã. Ela se tornou funcionária pública cedo, e comandou toda a dita Máfia que pertenço hoje, e fico muito feliz de assim fazer parte de seus quadros. Não sei se teria as mesmas astúcias que ela em comandar semelhante instituição, mas o certo é que ela é uma das pessoas mais competentes, inteligentes, sagazes e corajosas que já testemunhei. Agradeço por ter uma amizade que se arrasta por mais de quatro anos de aventuras e boas conversas.

Que a cada dia 26 de novembro, você tenha muita saúde, muita vida e muita felicidades para tocar o negócio de azeite de La Famiglia e que sejamos eternos amigos. Ainda temos que marcar a grande viagem! Ainda mais agora que voltei a ser um funcionário público! =)

Torço por você, Aline!

Per la Famiglia, sempre!

Wednesday, November 21, 2007

Balada do Amor Inabalável



Balada do Amor Inabalável
Skank
Composição: Samuel Rosa / Fausto Fawcett

Eu levo essa canção
De amor dançante
Prá você lembrar de mim
Seu coração lembrar de mim...

Na confusão do dia-a-dia
No sufoco de uma dúvida
Na dor de qualquer coisa...

É só tocar essa balada
De swing inabalável
Que é o oásis pr'o amor
Eu vou dizendo
Na seqüência bem clichê
Eu preciso de você...

Darará! Dararumdá Darará!
Dararumdá! Darumdá!
Darumdá! Darumdá!...

É força antiga do espírito
Virando convivência
De amizade apaixonada
Sonho, sexo, paixão
Vontade gêmea de ficar
E não pensar em nada...

Planejando
Prá fazer acontecer
Ou simplesmente
Refinando essa amizade
Eu vou dizendo
Na sequência bem clichê
Eu preciso de você...

Darará! Dararumdá Darará!
Dararumdá! Darumdá!
Darumdá! Darumdá!...

Mesmo que a gente se separe
Por uns tempos ou quando
Você quiser lembrar de mim
Toque a balada
Do Amor Inabalável
Swing de amor nesse planeta...

Mesmo que a gente se separe
Por uns tempos ou quando
Você quiser lembrar de mim
Toque a balada
Seja antes ou depois
Eterna Love Song de nós dois...

Eu levo essa canção
De amor dançante
Prá você lembrar de mim
Seu coração lembrar de mim
Na confusão do dia-a-dia
No sufoco de uma dúvida
Na dor de qualquer coisa...

Darará! Dararumdá Darará!
Dararumdá! Darumdá!
Darumdá! Darará!
Darará! Dararumdá Darará!
Dararumdá! Darumdá!
Darumdá! Darará!
Dararumdá! Darumdá!
Darumdá! Darará!...


Tuesday, November 20, 2007

Dia da Bandeira


Hoje é dia da bandeira. A bandeira brasileira é uma das mais belas do mundo. Revela os símbolos de um povo massacrado por políticos corruptos, o verde das nossas matas mortas pelo explorador; o amarelo de nosso ouro saqueado; o azul de nosso céu, ainda azul, com algumas estrelas e sem muita ordem e progresso. O lema - Ordem e Progresso - é um lema positivista, de Auguste Comte, francês, que era um dos que acreditava que sem ordem, não haveria progresso. E para falar a verdade, para o positivismo, a história da simbologia da bandeira é uma baita marmelada. Cuido disso depois. Mas sobre o positivismo, em certos casos isso funciona. Às vezes regras bem estabelecidas e bem colocadas levam ao progresso de um país, ou mesmo de indivíduos tomados em particular.

Eu tentei ter disciplina em tudo que fiz. Esmêro, força de vontade, fé, ordem. Tive pouco progresso, mas começam a nascer os brotos. Estou feliz. Eu quero ir além, mas estou muito satisfeito com tudo o que vem acontecendo. Estou recebendo bons presentes de aniversário, e o Natal está ai. O que vai acontecer?! Bem, não quero mais prever, quero deitar na minha cadeira e relaxar um pouco...

Quanto a bandeira... bem, que ela continue tremulando e dando um pouco de esperança a quem ainda acredita nela... Pátria amada, amo-te; mas continue me amando!

Monday, November 12, 2007

Raios!!

RAIIIOOSS!!!

Fui convidado pra uma tal de suruba,
Não pudia ir, Maria foi no meu lugar
Depois de uma semana ela voltou pra casa,
Toda arregaçada não podia nem sentar.

Quando vi aquilo fiquei assustado,
Maria chorando começou a me explicar.
Daí então eu fiquei aliviado,
E dei graças a Deus porque ela foi no meu lugar

Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém
Roda, roda e vira, solta a roda e vem
Neste raio de suruba, já me passaram a mão na bunda,
E ainda não comi ninguém!
[Mamonas Assassinas, Vira-vira]



RAIIIIOOSS!!!

Quem nunca ouviu essa música, pode atirar a primeira pedra. Bom, pelo meu conservadorismo excessivo, eu não gostava de Mamonas Assassinas. Sim, eu era diferente demais, por isso, ganhei destaque na minha quinta série. Mas se era o único a demonstrar que não gostava, era um dos poucos a demonstrar que cantava... Bem, mas isso é pretexto para dizer que um raio quase acertou minha casa. Sim, quase. Será um sinal do além?! Será que há mais surpresas?! Será que devo apostar na mega-sena?! Será que um raio não cai no mesmo local?!

Bom, o fato é que um raio passou raspando pelo meu telhado, e atingiu uma árvore, do outro lado da rua! Não, não tinha nenhum carro, não tinha ninguém atravessando, e fazia, segundos os relatos de minha mãe, um grande e gigantesco roda-moinho, daqueles que às vezes visitam a casa do Mickey Mouse todo início de ano.

Aliás, diga-se de passagem que o Mickey é muito mais macho que rato. Por que?! Pensa só: imagina se um furacão passa pela sua casa... o que você faria. Bem, deixe-me advinhar: você correria para o porão e se esconderia, se não, até mesmo, você fugiria para longe, evitando um desastre de como aconteceu em Nova Orleans, com o furacão Katrina, que o desgraçado do Bush filho não teve coragem de socorrer na hora certa, porque é um incopetente, e que a Lousiania tenha Jazz e que o estado do Texas e os texanos tenham muita raiva por isso.

Mas deixemos a política interna americana para eles, e voltemos para o Mickey. Ele jamais fugiria da Disney, não porque é um rato, nem porque o Walt pôs ele lá, mas, acima de tudo, é porque ele é macho pra cacete! Ele não largaria a Minnie, não largaria o Pluto, nem o Pato Donald, sequer o Pateta e o chato do Zé Carioca.

E sabe porque?! Porque o Mickey é um porco capitalista que eu gosto! Ele gosta do dinheiro que as criancinhas deixam lá, e gosta da família que ele criou lá. Eu sou fã do Mickey, acho que ele deveria concorrer nas próximas eleições para o governo do Estado local, a Flórida, desbancando o Bush irmão; e isso daria certo, pois o Mickey, como toda a indústria cinematográfica, deve ser Democrata.

Bem, o safado do Mickey tem ainda um futuro promissor, e, suponho eu, na ingenuidade de meus pensamentos, que ele pode se casar, envelhecer um pouco, por a Disney para um bom assessor administrar e tocar o negócio; talvez a Minnie tenha senso empreendedor e consiga gerar dividendos para a campanha e ainda sim o Mickey pode chegar a Casa Blanca.

Tomara que ele não dê uma puladinha da cerca e se aproveite de ser democrata e de estar na casa Blanca para pegar alguma estagiária e por tudo a perder. Mas acho que ele não chega longa não, porque é burro e tem mal serve para cobaia de laboratório de psicologia. Eu mesmo já tentei chutar a bunda dele e dar uma lambada nele, mas não deu; aquele porco-capitalista é forte, igual o papai-noel, mas deste, eu cuido noutro post...

Bem, tirando o Mickey, os americanos e o papai Noel (por enquanto...) dessa fucking story, minha casa perdeu algumas telhas, amanhã chega os pedreiros para arrumar. Diga-se de passagem, as chuvas aqui dessa cidade estão varrendo tudo, até os telhados do Pier... sim, a alguns dias isso aconteceu...

Aliás, falando em Papai Noel, o Natal vem chegando... o que vou pedir?! Conto noutra estória...





[Mickey na arte de Andy Warhol, o criador do por-art; visão da árvore destruída, assim que cheguei em casa a noite. Crônicas da semana, agora aqui no NTDN]

Friday, November 09, 2007

Ex-post

"Escrever é lembrar-se. Mas ler é, também, lembrar-se."
François Mauriac, escritor francês, Prêmio Nobel de Literatura - 1952


Chega ao fim a minha novela. Em 15 capítulos, durante dois meses, foram descritas algumas linhas de ficção, outras de não-ficção e que tem muito a ver com algumas coisas antigas, novas, recentes... em literatura, descobri que estudar a vida de um escritor significa, muitas vezes, estudar suas obras, pois elas são influenciadas pelos acontecimentos passados, presentes e muitas vezes, futuros. Pude ter a prova cabal disso nessas linhas. Acho uma mentira a frase: "essa é uma obra de ficção, e qualquer referência ou vínculo é mera coincidência". Sempre há vínculos com a realidade. Cada personagem tem um pouco das pessoas que passaram pela minha vida, cada lugar, uma semelhança com os lugares que visitei. Nada é absoluto. É uma grande salada, assim como foi a minha vida nesses últimos 10 anos.

Algumas pessoas, leitoras dos posts, podem comprovar isso e fico feliz pela audiência e preferência por nós. Aline, Ana Cláudia, Julie, Nina, Alfredo, Leonardo, Camilla, minha irmã. Valeu!

Gostei de escrever, mas não levo jeito. O meu negócio são os números e resultados. Não é a toa que sou um economista. "Cada homem tem um destino", como dizia Don Vito Corleone.

Em síntese, a história "Dobrando o Cabo da Boa Esperança" conta a estória de personagens que cometem erros e acertos em suas vidas, aprendendo pouco com o passado recente. Seria o ser humano um animal que aprende com dificuldade as lições do passado?! Pelos pressupostos econômicos da racionalidade, sim; pelos pressupostos da psicologia não-comportamental, não.

Abaixo, um índice de posts e algumas figuras ilustrando algumas semanas de audiência, estamos beirando quase novecentos visitantes! Mais uma vez, obrigado.


Índice de posts

1. O Dia de Bartolomeu
2. Antecedentes
3. O Encontro
4. Marselha, Lady Katherine, Poker e Bartolomeu
5. Fly me to the Moon
6. As cartas
7. Alea jacta est
8. A corrida e o vôo da coruja: a puzzle
9. O Psicólogo
10. Banda em fuga
11. O oceano em que navegamos
12. Meu amigo de 8 anos
13. Aquele dia de Bartolomeu
14. O desfecho do narrador
15. Considerações finais

Gráficos



Thursday, November 08, 2007

Considerações finais

"Todo homem morre; mas nem todo homem vive..."


Doença de Wilson. Quando cheguei ao Hospital na manhã do dia 6 de novembro, recebi a notícia de que meu Tio Weiss tinha falecido por uma doença rara, talvez incurável até hoje. Desde 1978, vivi só durante muito tempo. Senti falta da figura paternal de Leonard escrevendo na IBM dele em nosso apart em NYC... de suas saídas silenciosas pela manhã para camninhar no Central Park, aqui na 5ª avenida, e depois, acordar com o barulho do chuveiro de seus banhos matinais para, depois, sentar na cadeira e voltar a escrever seus livros. Não eram bons, sabia que não seriam publicados, mas incentivava ele.

Nunca disse isso, mas seus livros tinham um conteúdo sem drama, sem aventura, sem força motriz que me levasse a ler cada vez mais ele... Ele nunca escreveu nada sobre sua vida, apenas essas notas que aqui publico e suas memórias no sanatório (um dia a serem publicadas), e cuidou de mim durante os desessete anos precedentes, de 1958 a 1973... tive que me virar, tive que buscar minha mãe sozinha, não consegui... mudou de nome e nunca se casou... tive que escrever livros desmotivados e que me feriam, pois eram o leque que estava abrindo para todos os que folheavam e liam as páginas marcadas de meu sangue, do sangue de meus parentes e de meus amigos.

As boas lembranças dele sempre ficaram guardadas comigo. Sinto não ter sido mais solícita, não ter sido mais carinhosa, não ter acreditado mais na sua figura como meu protetor, de uma pessoa que realmente me amava, com todas as letras, os sons, os fonemas, e toda a poesia necessária para me encantar, e, que, eu não me encantei... encantei-me com seus gestos, com sua alegria, com seu positivismo, com sua força de viver na maca, tentando me mostrar que ainda demente era uma pessoa que acreditava na vida e na suplantação dos obstáculos, mas disso, aprendi, ele herdou de meu pai biológico.

A amizade de meu pai, Bartolomeu, com Weiss tornou esse último uma pessoa admirável. Bartolomeu com sua frieza transformou-se também. Meu pai fora pior, segundo relatos e cartas de minha mãe, que herdei de Weiss após ter sido internado no Hospital. Analisei os escritos e notara que era uma pessoa apaixonada por minha mãe, mas que essa não lhe correspondia a altura. Por que Bartolomeu não era o homem ideal?! Por que Bartolomeu era frio?! Por que Bartolomeu era feio?! Creio que não. Creio que por medo. Creio que por covardia. Creio que por força de vontade em ser feliz...

Digo isso por experiência própria. Ao largar Rubens, uma pessoa apaixonada por mim durante os tempos em que vivi no Brasil com meu Tio, tive arrependimentos. Escrevia sem parar em meus diários, a fim de ninguém ver meus sentimentos reprimidos e devastadores sobre a besteira que eu fiz. Mas passou. Rubens se casou, foi ser feliz bem longe de mim. Sequer quis contato. Morri para ele. Casei-me com o primeiro que me apareceu, logo depois. Foi frustante. Foi frustante saber que uma pessoa te amava tanto, que era capaz de dar a vida por você, mas que a que você dá a sua vida, quando se casa com ela, não daria sequer uma rosa colhida no jardim do Central Park para você... Perdi uma oportunidade, errei como minha mãe errou. Procurei por mais duas vezes o caminho da felicidade, naufraguei nas duas. Vivo hoje a deriva.

Se for genes, devo estar perdoada. Se for por falta de sabedoria, também. Mas se for por covardia, não me perdoaria nunca. Evito pensar sobre para não me convencer sobre isso. Quando a culpa é nossa, a carga torna-se um fardo enorme sobre nossos ombros de forma que não mais vivemos com essa culpa eterna. Vivo assim.

Fiquei triste demais. Sai do hospital e fui caminhar, sentei num banco qualquer. Contei isso tudo a um velho homem, oriental, baixo, de cabelos brancos, barba branca, e de olhos tão fechados que sequer via sua pupila. Ele virou-se para mim, tomou minhas mãos, fez um esforço sobrecomum para abrir as pálpedras, e lá, vi os olhos pretos e cansados daquele homem, veterano de guerra, na pracinha do Parque Central:

- Há duas coisas na vida que devemos aprender: uma é viver, outra é morrer. Morrer é saber fechar as portas, é saber ter coragem para para dizer 'não' para as oportunidades; e para que fechamos as portas?! Para abrir outras. Esse é o viver. Abrir portas. Uma aberta corresponde a uma fechada. Um 'talvez' não significa um 'não', mas o tempo costuma interpretar como tal. Se você reclama da morte de muitas pessoas, é porque quis abrir outras portas; quis viver de outra forma. Mas lembre-se: todo homem morre, mas nem todo homem vive...

Larguei suas mãos e continuei a caminhar... confesso que nunca entendi o real significado daquela fala...

* * * * * * *


Hoje, dia 8 de novembro de 2007, estou com 66 anos, os cabelos ruivos já não mais são tão ruivos, fio brancos são abundantes; meus olhos ficaram ainda menores; algumas marcas de expressão se tornaram inevitáveis também; meu pescoço passou a ter marcar singelas também, contrastando com força dos diamantes imutáveis que Weiss me presenteou... sinto-me mais velha do que a idade me diz, sinto que os atalhos que tomei para fugir dos caminhos que considerava difíceis tonaram minha vida mais rápida, mais frugal, mais entediante... sinto falta da aventura de meu pai, sinto falta de Rubens, sinto falta de Weiss, sinto falta de fazer coisas grandes, como traçar um grande plano marítimo e dobrar um Cabo, sinto falta de depois saber que vou morrer de velhice, mas não de aventuras...

* * * FIM * * *

Wednesday, November 07, 2007

Obrigado

Um aniversário é uma data em que você comemora a quantidade de anos vividos, ou não vividos. Eu não ou dizer que vivi toda minha vida, mas vivi o suficiente para dizer que estou vivo de novo. Talvez tenha dado sorte. A cada dia, vivo um dia diferente, com novas surpresas, nem sempre boas, mas que na média, estão acima das minhas expectativas.

Parece que tudo vai bem. E se não vai, há boas chances de que em semanas seja. Gosto disso. Não sei até quando isso vai, sempre dizem que depois de uma boa safra, há uma tempestade, mas prefiro não acreditar assim. Estou feliz por estar vivo e rodeado por pessoas que gosto bastante.

No meio dessa salada toda, eu perdi algo tão intríseco a mim: o meu pensar sobre eu mesmo. Perdi esse hábito que considero bom. Tudo passa tão rápido, a uma velocidade... talvez seja minha velhice. Sei lá. Às vezes lembro do comercial antigo da Chivas e lembro que poderia ser eu ali pescando no gelo da Antártida. Será?! Sei lá. Bem, vê o comercial ai. A música é ótima, chama-se: Mermaid Song, de Sarah Khider. Vai a letra e o comercial ai.



We could be together
Everyday together
We could sit forever
As loving waves spill over
The moon is fully risen
And shines over the sea
As you glide in my vision
The time is standing still
Don't shy away too long
This is a boundless dream
Come close to me my reason
I'll take you in my wings
We could be together
Everyday Forever
We belong together
Further seas and over
In the garden of the sea
I see you looking over
With my wistful melody
You leap into the water
It is no breaths sighing
This is the mermaid song
The singing of my sisters
The sea has drown for long

Mermaid Song
We could be together
Everyday together
We could sit forever
As loving waves spill over
We could be together
Everyday Forever

We could be together
Everyday together

Ah... parabéns para mim!!! =) e obrigado por tudo...

Tuesday, November 06, 2007

O desfecho do narrador...

"Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."

[Fernando Pessoa - Mar Portuguez]


Não descobri plenamente, mas minha doença consistia em uma série de sintomas que me arrastaram por toda a década de 70.

Primeiro, passei a ter Hepatite... bebia, mas não era muito... apenas Whisky. Isso foi em 1968. Aprofundou. Transformou-se em cirrose hepática. Tive vários problemas renais, arritmia e por último, a catarata em 1971, quando consegui cirugia nos Estados Unidos. Já morávamos lá, desde de janeiro de 1969. Consegui amainar as doenças que me consumiam. Passei a tomar remédios controlados, em 1973, para problemas psicológicos e minha mão treme muito ao tentar escrever essas duras linhas para você, meu caro leitor. Foi duro para Kathy me aturar todos esses anos. Pedi a internação. Encontro-me internado. Uns cinco anos num sanatório, sempre acompanhado por médicos; agora, mais uma vez, numa maca de um hospital. Tentando vencer doenças que consomem meu corpo e minha cabeça. Sofro por cinco anos, piorando dramaticamente.

Fiquei perambulando pelo sanatório do distrito do Queens. Por irônia, o sanatório chamava-se Charles' Hospice, em homenagem a Carlos II, rei da Inglaterra, esposo de Catarina de Bragança, daí, o nome do condado - Rainha.

Conheci vários loucos. Conheci uma porção deles. A primeira era engraçada. Protadora de distúrbio obsessivo-compulsivo tinha manias frequentes de agarrar-se a um urso de pelúcia que o namorado dava-lhe em verão de 1914. Sim, ela era muito velha e dormia com ele atestando ser seu amado eterno.

O segundo, travei um diálogo memorável, aliás, com todos eles houveram diálogos que me fizeram saber que meu problema não era uma psicose, neurose, nem doença orgânica... talvez, mais uma doença fisica, que não haviam descoberto. Perguntei para ele:

- What do you have?!
- Me?!
- Yes, you...
- I think I have some kind of mental illness...
- Of course, all of people, here, are said crazy, but I think some of them are it.
- No, all of us.
- I'm not crazy, I think have some of physic illness, not besides this.
- Wow... you think... it seems to me you aren't totaly crazy, because always ones said to me: "I'm not crazy, I'm fine"... you accepted some kind of illness... - sorriu ironicamente para mim...

Mas continuou:

- You probably have some type of... schizophrenia... maybe...
- Oh, merci, je pense que il est vrai... je suis Napoleon Bonaparte, n'est pas?! - Ele me deu de ombros e foi embora... corri até ele e toquei-lhe o ombro esquerdo, perguntando sobre a indiferença...

Ele prosseguiu:

- Well, if somebody arrives to you and said "I'm Napoleon..." what would you do?!
- I'm probably said to him that isn't it!!!
- If someone said to me this, I would say nothing...
- Why?!
- If I argued with him, I would be too crazy as him... - deu-me de ombros e foi embora... parabéns para ele, fazia todo o sentido aquela minha gracinha... aprendi a ser menos irônico naquele ambiente.

Mas como disse, surgiram vários diálogos que anotei em meus cadernos de notas para possíveis livros sobre isso. Atualmente, Katherine vem recebendo cada um deles e escrevendo em forma de livro...

* * * * * * *


Quando você olha para o vidro, observa chuva ou neve, sente o frio, o silêncio, não dá vontade de sair de casa... mas certas vezes, ao pensar sobre sua situação nesse extato momento, nesse exato instante, você pára e pensa: "por que estou aqui?", "por que quero sair daqui?", "o que há de tão interessante para eu querer sair daqui?", será a falta de algo?! será a falta da pátria?! ou simplesmente um desejo de não querer mais permanecer nesse quarto?! Mas o que fazer lá fora?! Saudades de alguém?! de quem?! Passei todo o dia 5 de novembro a pensar; e tudo começou por olha minha mão esquerda e aquela cicatriz no polegar... lembranças vieram do tempo de jovem, lembranças que não me destroem, mas me fortaleceram na noite fria e sombria do hospital do sanatório... dessa, só lembro minha visão sobre o parapeito da janela, e uma borda preta, em degradê, fechando o meu campo de visão lentamente, bem lentamente, depois, mais nada...

* * * * * * *


Hoje, dia 5 de novembro de 1978, enquanto lia o Washington Post, do lado de minha maca, o médico invade meu quarto, mais uma vez, como no Principado de Mônaco a vinte anos atrás... ainda lembro, apesar de minha memória estar se esgotando aos poucos nesses últimos dias daquela aventura mágica de fuga para o Brasil... anuncia outro problema para eu vencer: hemólise, destruição das hemácias... estou morrendo aos poucos e ainda não sei qual minha doença... voltei ao meu jornal, inconformado com a a medicina, com os políticos, com minha situação, com minha ex-mulher e com o mosquito que estava preso entre os dois vidros da janela, debatendo-se loucamente par sair do quarto e do Hospital, assim como eu clamava por vida e pelo ar do Central Park... estava chegando ao fim meu sofrimento...


[Apesar de estar longe do Central Park, as memórias dele continuavam vivas em minha cabeça... talvez, o meu desejo era sentar no banco que ficava perto da ruazinha que dava acesso a minha avenue, a quinta, perto do laguinho... o desejo era me definhar aqui, coberto, com os flocos de neve caindo sobre meu rosto e clamando por desejos finais...]

Friday, November 02, 2007

Aquele dia de Bartolomeu...

Morrer é duro. Sempre senti que a única recompensa dos mortos é não morrer nunca mais
[Nietzsche]



... o meu Impala chega ao fim da Avenida José Bonifácio a direita, tomando por inteiro a Rua José Reinaldo. Estaciono. Tomo o meu guarda-chuvas. Abro a porta. Abro o guarda-chuvas. Um carro qualquer preto passa molhando minha capa e os meus pés. Fecho a porta. Atravesso a frente do veículo, em direção a calçada. Alcanço-a. Subo os degraus, tomando a porta aberta, como de costume. Invado a casa. Procuro Bartolomeu na sala. Não o encontro. Vou ao quarto. Não o encontro. Dirijo-me a janela, vejo os pingos de chuva atingindo-a, fracos, sem vontade, batendo no vidro, escorrendo por esse material, até a esquadrilha, misturando-se a poça no parapeito de madeira de lei, jacarandá, acho... afasto-me. Viro-me a esquerda. Uma meia volta. Noto o guarda-roupas aberto, com uma das portas prensando uma roupa. Acredito que uma calça comprida. Aproximo-me. Abro a porta. Um corpo desaba no chão. Aos meus pés, com o rosto para o piso. Surpreendo-me. A cabeça ensanguentada tornava ainda mais vermelhos os seus cabelos castanho-avermelhados. Puxo-o pelos fios, noto a face familiar. Ponho o meu indicador e meu dedo médio direito sobre o pescoço. Não encontro pulsação. Bartolomeu estava morto.


* * * * * * *


Assim foi o dia 29 de Maio de 1958, na pequena Rua José Reinaldo. Duas viaturas policiais estacionadas chamavam toda a atenção da vizinhança. Contacto Katherine, e alguns minutos depois, ela vem numa terceira viatura, descendo em desespero, chorando interminavel e inconsolavelmente. Rubens partira para a Europa. Estávamos apenas nós dois. A menina perdera o pai que nunca conhecera direito a filha.

Acompanhei-a até o Instituto Médico Legal. O Hospital não mais cabia. Era necessário autópsia. Duas semanas depois, o laudo: lesões no pescoço, pernas, órgãos genitais e cabeça. Diziam lesão corporal. Para mim, tortura. Custou-me saber porque, mas Bartolomeu era ligado ao regime Fascista de Mussolini, o que causou alvoroço naquela pequena cidade, apesar de sua atividade silenciosa. O fato era que envolver a Interpol para localizá-lo, por intermédio de Clement, levou a revelá-lo a grupos rivais locais. Pena.

Antes das duas semanas, choros de Katherine. Tentativas de contato com a mãe, Christine Valentine Mond. Sem resposta. Provavelmente recebera a carta e sofrera, mas sem demonstrar. Mas desde então, mãe e filha nunca mais conseguiram se falar. Nunca mais...

O enterro foi realizado na mesma cidade, num cemitério local. Uma cerimômia curta e com padre católico, no dia 14 de Julho. Katherine tinha 17 anos e era de menor, sem tutela. Entrei com processo de tutela na Justiça. Em 1965, em nossa residência em Brasília, recebi o resultado em 1965, indeferido - pouco importava, ela atingia a maioridade.


* * * * * * *


Durante todos os anos seguintes, cuidei de Katherine. Catrina, como passei a chamá-la. Tornou-se uma filha para mim. Espacialmente no ano de 1960 e 61, passamos em Chicago. Estimulou-me a publicar meus livros, que recebera excelente elogios dela. Sabia que eram de pouco valor. Não consegui publicá-los. Nenhuma editora estrangeira aceitava, nem nacional.

- O público detesta romances psicológicos. De psicologia, apenas auto-ajuda...

Era o que sempre ouvia.

Voltamos ao Brasil em 62, após a Copa do Mundo que o Brasil ganhava. Rubens passou um tempo conosco. Tempo necessário para namorar Catrina por três meses, apenas três meses... viam-se todos os dias... terminaram por decisão de Catrina, infelizmente.

Infelizmente porque Rubens era o cara certo para Catrina, e Catrina, a mulher certa para Rubens; mas nem sempre duas peças do mesmo quebra-cabeça fazem sentido... era preciso esperar...

Enquanto isso, encontrei John Smile. O desgraçado, chamado de João Sorriso em Brasília (sim, moramos dois anos em Brasília, de 1963 a 1965, quando nos transferirmos para o Rio), apresentou-se para mim, sabendo de minha existência e nome. Fingi não conhecê-lo. Ficamos amigos. No primeiro porre da inauguração de um prédio público em Brasília, em 1964, levei ele para o mato e disparei as oito balas do calibre 38 que guardara de Bartolomeu, logo após ter feito o inventário do mesmo em 1959. Morrera. Joguei-o na primeira vala comum que encontrei, sem cerimônias para um verme de tamanha estirpe.

Mas também encontrei Rudolph. Outro que tinha ligações com João Sorriso. Tinha também trepado com minha mulher, por informações, claro. Na virada do ano de 1968, durante o festival de fogos, do calçadão de Copacabana, apunhalei uma faca em seu estômago, com todos presentes na praia de Copacabana olhando os lindos fogos que cruzavam o céu. Ele caiu, e todos pensaram que estava bêbado. Sai tranquilamente pelo calçadão; no dia seguinte, viajava para Nova Iorque com Katherine.

O mais importante não em si a vingança, mas a mudança de atitudes num ser humano é fundamental. Pensar que todos aqueles canalhas fizeram aquilo com minha mulher era de pouca importância se levasse em conta que pude colocar tudo num caminho de correção: eles precisavam de uma lição, e eu dei; mas confesso que não precisava ser eu que aplicasse a lição.

Mas voltando a Catrina, digo que foi a maior das minhas companhias... era meiga, era carinhosa, era branca, muito branca, lábios lindos, olhos pequenos, cabelos vermelhos da cor da cereja. Tinha gosto pelas artes, matriculei-a num curso de artes plásticas no ano de 1971, tinha trinta anos aquele linda menina. Eu, tinha 47. Aprendeu artes cênicas, também. Chegou a ser atriz, mas desistiu pelo gosto da escrita, não sei, mas provavelmente era de família, e eu tinha pouca influência nesse processo.

Acho que a arte beirava aquela que seria uma família, se tudo aquilo que acontecesse no dia 29 não tivesse acontecido. Sim. Talvez. Nesses dias, antes do fim da década de 60, pude constatar isso por meio de várias cartas lidas de Bartolomeu. Como dissera, pegava-as no armário, assim que o corpo caiu sobre meus pés. Aliás, diga-se de passagem, Bartolomeu sabia que lia suas correspondências, e, talvez, soubesse que um dia poderiam servir de algo, como para algum marinheiro de primeira viagem que não soubesse dos encantos das sereias e nem dos monstros que aboninávam o mar do sul do Cabo... Bartolomeu talvez fosse um gênio, mas fora covarde, talvez, tanto como eu fui um... mas aprendi, e isso é o que mais importa na vida de um homem, a mudança de atitudes...

Fechando esse bloco, lanço uma das mais importantes cartas de Bartolomeu que li... foram muitas, muitas sem sentido, muitas excessivamente emotivas e desmotivadas, Bartolomeu talvez tivesse ficado louco, ou enloqueceram Bartolomeu, mas a grande verdade é que ele impressiona a todos, talvez até ele mesmo, mesmo depois de morto...

"Trento, Itália, 2 de Novembro de 1943

Minha doce Christine,

Tudo poderia ser melhor, tudo poderia ser a mais louca e bela aventura de nossas almas nessa cidade mágica. Tudo, tudo mesmo! Mas, não foi, não é, e duvido que vai ser... a moldura quando se quebra, quebra e ponto! Ela era pronta e acabada para uma única tela, mas a moldura quebrou... ou quebraram?! Não convém eleger culpados... o problema é que nunca teve tela... no máximo uma gravura, um desenho, que imaginávamos existir, não é mesmo?! Que cruel! Imaginar é cruel demais... não quero nunca mais imaginar... nunca mais! Nunca imagine! Nunca sonhe! Nunca faça nada além do que está a luz de seus olhos. Há o perigo de tomar decisões em cima da hora, mas melhor assim. Do contrário, você vai querer sumir no azul infitino do mar... Droga! Imaginei de novo... o mar está a quilometros de distância daqui, em Mirnyj, e até queria ouvir as ondas quebrando nessa noite fria, bem fria, diga-se de passagem, enquanto escrevo..."

O mundo vive mudando e dando voltas. Aprendi isso com Bartolomeu. Os ventos nem sempre sopram para um lado; mas o mais importante é que as velas de nossa embarcação sempre podem ser içadas a fim de chegarmos ao destino que almejamos... Bartolomeu, mesmo louco, acho que você me ajuda. Ainda me ajuda...

* * * * * * *


Ajudou tanto quanto Katherine. Essa, principalmente, fisicamente. Ajudou-me em todas as etapas de minha doença terminal... eu passei a me definhar a partir de 1969... nessa data...

[Campanário, Trento - norte da Itália: as mais importantes batalhas brasileiras na Segunda Guerra Mundial fora realizada em Monte Castelo, norte da Itália. Lá Bartolomeu aprendeu o português, junto a amigos brasileiros. A cidade também é importante para a Igreja Católica, sendo nela realizado o Concílio de Trento, responsável pela Contra-Reforma.]

Wednesday, October 31, 2007

Greenspan

Estou no quinto capítulo do livro de memórias de Alan Greenspan e estou gostando demais! Como disse, não é um livro apenas de economia. Queria fazer dois tipos de comentários, um econômico; outro, pessoal.

Economicamente falando, gosto do já conhecido conceito de "destruição criativa" de Schumpeter, economista que influenciou sua formação. De fato, a economia se revitaliza de dentro para fora, tirando as más empresas para ceder espaço para as que se destacam mais, como no processo de seleção natural. Acho que isso se aplica a tudo mesmo, quem não se inova, quem não se aperfeiçoa, perde lugar, parece que estamos numa permanente competição.

Pessoalmente falando, gosto das imagens que Greenspan alude. Ele fo casado com Barbara Walters, poderosa âncora da ABC News. Foi a várias festas com ela, onde pode criar contatos, dado que "Economistas de empresas não são exatamente animais festeiros", nas suas palavras.

Ele chega a lançar a seguinte frase:

"Não me sinto ameaçado por mulheres poderosas. E agora estou casado com uma. A atividade mais monótona que posso imaginar é sair com uma mulher vazia - algo que aprendi da maneira mais difícil, quando era solteiro."

Acho de uma sinceridade absurda suas palavras. Outra, que possivelmente já aconteceu com todo mundo. Você está numa festa, e chega uma pessoa que te conhece, como foi o case de Sue Mengers, e você não conhece ela:

"Ela era, de longe, a agente mais poderosa de Hollywood - representava estrelas como Barbra Streisand, Steve McQueen, Gene Hackman e Michael Caine. "Sei que você não se lembra de mim", começou. então, ela explicou como, quandoeu tinha 15 anos e ela 13, costumávamos sair com outras crianças de Washington Heights, nas alamedas do Riverside Park. "Você nunca me deu muita atenção, mas eu sempre admirei você", disse. Fiquei sem fala, como provavelmente teria ficado aos 15 anos."

É curioso isso, pois já aconteceu isso comigo. É curioso porque as pessoas que mais te admiram, mais te querem estão debaixo de seu nariz, e não costumam falar muito. Não sei porque, eu falaria; mas elas, mulheres, não falam.

O livro do Greenspan inspira economistas e não-economistas; é um livro para leigos, como disse, assim como Murray Stein, "Jung: O Mapa da Alma", que também estou lendo. É um psicólogo que escreve para não-psicólogos e e interessantíssimo que ele faz muitas referências a economia. Somos universais?! Não sei, mas o livro do Greenspan é muito bom...

Saturday, October 27, 2007

Meu amigo de 8 anos...

I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
And I think to myself, what a wonderful world

I see skies of blue and clouds of white
The bright blessed day, the dark sacred night
And I think to myself, what a wonderful world...

[Louis Armstrong - What a wonderful world]



O tocar suave do DC-3 em São Paulo num céu ensolarado no dia 26 era meu consolo para as notícias que teria que dar para Katherine... Rubens devia nos deixar numa pensão em São Caetano do Sul, onde Bartolomeu foi encontrado... fomos de trem e depois de ônibus para lá...

Permanecemos por lá, localizando Bartolomeu, por uns dois dias, até encontrá-lo no dia 28 de Maio de 1958. Chovia muito, o tempo mudou assim que chegamos, isso foi curioso para mim. Após localizarmos Bartolomeu, Katherine e eu fomos a um café... tinha de revelar o conteúdo das cartas lidas, mas não tive coragem... fiquei atônito com a possibilidade de ela não aguentar tamanha carga... tive a idéia de primeiro falar com Bartolomeu, em separado e escondido... esperei a noite chegar.

Lady Katherine, sempre com livros e livros sobre a cabeceira da cama, tomava um deles para a leitura antes de dormir. Já de camisola, bati duas vezes na porta de cerejeira e a vi deitava sobre a cama de mesma madeira...

- Vou me ausentar por uns instantes...
- Para onde vai?!
- Apenas comprar cigarros, nada mais.
- Ok, deixe a porta encostada, fecharei depois.

Deixei a porta encostada e decidi ir a Rua José Reinaldo, 86. Entrei no seu sobrado, de telhas avermelhadas e com a já dita porta de jacarandá... sim... voltamos ao início da trama toda... o leitor pode relê-lo, se desejar... Leafar e Bartolomeu eram as mesmas pessoas... e toda aquela nota refletia seu grau de desespero por saber da verdade e não saber se portar diante dela... queria fuga, queria paz para pensar... mas fui lá conversar com ele... e aquela nota refletiu todo o meu medo, e toda a confiança de Bartolomeu, éramos apenas uma pessoa, com nossos traumas intrísecos, completávamos: Bartolomeu, ferido, adotava aquele comportamento distante, como sempre eu tinha antes de conhecer Emmanuelle; eu, alegre com minha esposa, adotava um comportamento alegre, otimista, positivo, tal como Bartolomeu tivera ao lado de Christine...

Aquela nota refletia tudo isso, mas de forma poética... absmava-me, pois todos os meus amigos escreviam melhor que eu... não gostava de minha escrita. Bartolomeu escreveu tudo o que passou ali, de forma triunfal...

"- Licença é a primeira coisa que pedimos em qualquer lugar - introduziu, delicadamente o Sr.

- Licença para quê? Tu sabes o que isso por acaso significa? Licença pedimos para quando estamos invadindo algum espaço alheio ou algo privado, esse espaço é público - corajosamente respondeu ao Sr.

- É, é por isso que não cresces. Devia ter um manual, essa juventude, para entender como se começa os primeiros passos, caso vivam sozinhas.

- Calma... primeiro, quem disse ao Sr que sou um jovenzinho qualquer? Segundo, como sabes que vivo só? Por acaso me vigia?

- Não, não vigio ninguém, se me permite responder a segunda questão antes da primeira. Sei porque vejo solidão em seus olhos e falta de direção em suas pernas. é um jovem diferente, sim, nisso admito.

- Você é um pedante. Que diabos de solidão está falando? Vivo só, mas me dou bem comigo mesmo, não preciso de ninguém.

- Precisa, precisa sim. Todos nós precisamos de alguém, nem que seja para contar nossas tristes experiências.

- Isso é para os fracos! Não sou como você.

- Eu preciso de você. Juro que preciso. Não está vendo que a chuva cai sobre você e não cai sobre mim?! Você precisa de proteção, e eu preciso de forças como as tuas.

- Sim, eu sou forte e pouco me importa se precisa de mim, pois eu não preciso de você. A chuva que cai em mim é temporária, pois ela lava minhas questões não resolvidas e me isola de questões fúteis e históricas que vocês fracos se entregam.

- Pode ser verdade a segunda parte, apesar de discordar da primeira. Acho que um dia precisaremos nos unir...

- Unir para quê?! União trás fraqueza, sua fraqueza me incomoda, você é incapaz de resolver seus problemas, seus desafetos e agora fica a me amolar... estás protegido, mas contra quem?! Uns fracotes?! Eu me protejo sozinho dos meus... páre de dar importãncia a eles que eles falecerão no seu subconsciente...

- Bem que gostaria - continuou o Sr. - eu queria esse otimismo contra meus desafetos mesmo. Estás vendo que podemos nos ajudar?!

- Eu não sei onde quer chegar...

- Você não tem idéia de como estás perdendo sua vida isolado naquele sobrado... acha que porque todo mundo te inveja, és o melhor?! Estarás sempre protegido?! Saiu de sua casa, você pega chuva...

- Mas... - pensou um pouco Bartolomeu: de fato quando ele saia de casa, ele pegava chuva, sempre... o céu sempre foi claro para ele e o Sol sempre brilhou para ele, mas a chuva sempre o acompanhou... por que será que acontecia aquilo? Aquela alma penada não tinha refletido sobre isso, pois passava tão pouco tempo fora de sua casa, que mesmo seu grau de observação apurado não lhe dizia nada sobre aquilo. - Mas... eu sempre pego chuva?! Pego... por quê?!

- Porque você deixou de entender o mundo e estou lhe oferecendo a minha mão para caminharmos juntos agora. Chega de você matar todos os que lhe passam pelo seu caminho e cair chuva sobre sua cabeça, que é a minha também. Eu também não quero mais ficar de capa de chuva, mesmo sabendo que nunca vai cair chuva em cima de mim e meu céu ser sempre nublado e sem estrelas... vamos agora acabar com isso e termos o que nunca tivemos, uma união.

- Mas eu não entendo... união de quê?! Vamos morar juntos?! Sermos amigos?! O que me propões?! Seja direto e franco...

- Não posso... você tem que começar a acreditar primeiro em si próprio e dizer para você que você que é capaz disso...

- Eu sou capaz de tudo, menos de entender isso tudo que está acontecendo... maldita hora que sai de casa...

O Sr. olha para os lados, a chuva parecia engrossar e mais carros ficavam empacados nas ruas, papeis corriam para todos os lados, a calçada da praça começava a encharcar, mesmo sendo mais elevada que as demais... algumas lamparinas começavam a falhar e as poucas luzes que iluminavam aquele local sombrio estavampor apagar... algo era anunciado como uma grande mudança na Rua José Reinaldo... o que tinha resevado aquele Sr para Bartolomeu?! Qual era sua grande parceria que ajudaria a ambos?! Será que não causaria dor a Bartolomeu... confesso que vi Bartolomeu com medo pela primeira vez... sentia frio, muito frio naquela noite e sua manta era incapaz de segurar o calor, o pouco calor que ainda possuia em seu corpo... não tinha proteção contra mais nada... e não mais podia mais lutar contra as leis da natureza, parecia que um fim devia ser anunciado...

- Não é uma maldita hora... é uma bendita hora. Quando trocamos nossas experiências, aproximamo-nos mais um do outro... nos conhecemos, mas não nos falamos... o que isso pode significar?! Não importa: se você não acreditarm nada vai adiantar, eu vou sumir e a natureza vai nos dar o cabo de nós mesmos, assim como nós viemos ao mundo... tudo depende de uma ação sua e minha, a de cooperar... o que acha?!

- Eu não sei... tudo é tão estranho..."



Não foi a toa que escrevi:

"Bartolomeu talvez tivesse ficado louco, ou tinham deixado ele louco. Todas as noites, ele sentava em frente a uma Olivetti e começava a escrever não mais sobre sua tese, mas sobre o que ele achava que era certo. Discutia com ele próprio."

Ele escrevia de forma trágica, de forma dramática, de forma que sangrava junto ao seu sofrimento, entendia aquela situação, depois de Emmanuelle me traiu de forma tão rasteira e crua; mas nesse lago de sangue que criava, ele assinalava que tudo iria mudar em nossas vidas, a partir daquele momento... e assim foi... apenas tive acesso a essa nota na noite do dia seguinte ao dia 28, quando tomei as seguintes atitudes:

Primeiro, conversei com Lady Katherine sobre Bartolomeu. No café da manhã do dia 29, fomos a Padaria Portuguesa, pedi dois croissants e Kathy, um café forte, sem açúcar, além de um Malboro. Confesso que nunca deixaria minha filha fumar, nunca mesmo... mas pouco importava, apesar de gostar tanto de Kathy, ela não era minha filha, não a tinha.

- Preciso lhe dizer algo de importância
- Diga - dizia ela om tranquilidade, tomando um gole de café e tomando o cigarro pela mão esquerda para acendê-lo com a mão direita.
- Sobre Bartolomeu... ele... ele... é...
- O quê?!
- Ele é seu pai...
- O quê?!?! - perguntava ela, arregalando os olhos, e pondo as duas mãos sobre a pequena mesa de alumínio escovado da Padaria do Português.
- Sim, ele é seu pai, por isso que foge da gente, por isso que o ama tanto...
- Sim, amo-o, não sabia disso... talvez seja por isso que tenha recusado meu beijo no autódromo... quero vê-lo - dizia ela com insistência.
- Calma, ele concordo vê-la essa noite... terá que esperar
- De acordo. Mandarei cartas para mamãe...

Fomos para casa, estava aliviado. Tinha a segunda tarefa: fui ter com Bartolomeu um almoço e ele concordara em um encontro, não informava quem estaria presente, mas ele já devia saber...

E a noite, iria a casa de Bartolomeu, buscá-lo em meu Chevrolet Impala, tomado por um amigo de Rubens.

Mas naquela noite do dia 29, apesar de estar estrelada, tudo mudou... tudo mudou mesmo, porque faltou tomar uma atitude chave... rezar para que tudo desse certo... acreditar... e faltou isso em mim, crença para que as coisas dêem certo... deixei de fazer uma boa ação em vida... e assim foi minha vida, vivendo de tropeços...



* * * * * * *



Quando nós olhamos para trás e vimos a longa jornada que fizemos, temos saudades de tudo. Eu tinha saudades daquela época. Estamos em quase 1979. Muita coisa passou: o Papa foi substituído pelo polonês Karol Józef Wojtyła, tornando-se João Paulo II, em 1978; Brasília foi construída, com o esforço de muitos, em 1960; a ditadura começou a endurecer no Brasil, em 1974 (mas a sorte é que vivi uns nove anos na América, entre 1969 a 1978); morreu JK, em 1976; morreram muitos vietcongues no Vietnã, de 58 a 75; o homem pisou na Lua, em 1969; morreram muitas pessoas com as drogas em Woodstock, em 1969; os Beatles se separaram, em 1970; Elvis morreu no ano passado, em 1977... o que mais me chocou, contudo, foi a morte de Louis Armstrong... talvez nunca amei tanto o Jazz pela voz rouca de "What a Wonderful World", quando soube de sua morte em 1971, um ano depois da descoberta de minha doença. Tomei uma garrafa de Johnnie Walker, 8 anos, e tomei até a metade... daria para cobrir mais uma metade, se a outra não tivesse ido por outros motivos... repeti a dose, a eterna música nos mais altos volumes permitidos pela minha vitrola, quantas vezes fossem necessárias para acreditar nas palavras do velho mestre negro... apenas para acreditar nele...

Fiz isso num apart-hotel na esquina da Quinta avenida com a Rua 55, em Manhattan, Nova Iorque... morei lá, com Lady Katherine durante esses anos citados... lembro-me do colar de diamantes, pequenos, mas de diamantes, que comprara na manhã do dia 3 de maio de 1974, quando caminhara numa das minhas caminhadas ao longo da 5th Avenue, em direção ao Central Park, passando pela Tiffany & Co, iámos a uma peça de Teatro sobre o famoso Watergate do Nixon... as coisas mudaram muito, as lembranças me vem e vão sobre os dias de minha agonizante vida... e assim foi naquele mês de Maio de 1958, dia 29...



["Tomei uma garrafa de Johnnie Walker, e tomei até a metade... daria para cobrir mais uma metade, se a outra não tivesse ido por outros motivos..." - Essa foi a minha noite: a vitrola toca a voz rouca de Armstrong, o meu amigo de oito anos não tinha mais gelo, e era servido quente para eu mesmo tomar; brincava com meus pertences sobre meu criado mudo, o relógio de papai, a coruja eterna, os cents de dollar, o meu retrato ao fundo e um olho... um olho que nunca párou de me espiar, muito menos de me ler...]

Friday, October 26, 2007

Dobrando o Cabo da Boa Esperança


"Últimos capítulos da sua novela das oito: a viagem pouco convencional de Weiss ao Brasil tinha um objetivo, ajudar Lady Katherine em sua paixão ardente por Bartolomeu; mas essa mal sabe por que espera na chegada ao Brasil, apenas Weiss possui algumas certezas do que está por vir. Nessa busca frenética, Rubens começa a se envolver com a Lady, o que pode render bons frutos para esse azarão de toda a história... Weiss conseguirá ou não vencer os descontroles compulsisvos de sua personalidade?! Assistam a mais um capítulo de Dobrando o Cabo da Boa Esperança... Rede Globo..."
Por Ana Cláudia

Pronto, satisfeita Ana Cláudia?! Rsrsrssrs... Bem, até que ficou comédia! Bem, valeu pela visita a Terra Nostra, estou satisfeito pelas lembranças e estou a considerar se vale a pena ir a POA. =D

No mais, a novela atinge seu décimo-segundo post amanhã, sábado, às 20h, assim como as novelas das oito. Há ainda mais dois posts, além desse de amanhã. Ainda sem data prevista para lançamento e que irá aguçar ainda mais a curiosidade de quem acompanha a minissérie, e eu agradeço a preferência e a audiência! Bem, acho que tenho um jeitinho para isso, talvez ainda seja um novelista ou crie uma série para a TV a cabo. O que acham?! Talvez após o meu niver, venha uma nova novela das oito... estamos contratando novo novelista. montando a cidade cenográfica e novos atores!

Enquanto continuo com meus planos de economista, aguardo a chegada de meu niver e a vinda de presentes bonitos. Hã?! Deixa pra lá... Alfredo, fica calado! =)))

Agora, vou para uma video-conferência com La Famiglia e depois uma saidinha.
[]'s

Thursday, October 25, 2007

La tour de Pise



On fera des voyages
Mon amour si tu es sage
Je suis ton Roméo
Et tu es ma Juliette
Dans les films les héros
Ne sont jamais très nets.

Tu n'étais qu'une touriste
Au pied de la tour de Londres
Au bord de la Tamise
Tu n'étais qu'une touriste
Au pied de la tour de Pise
Attendant qu'elle s'effondre.

Pour corser mon gin-fizz
Tu as rajouté un zeste
De larme dans le shaker
Tu y as perdu ta chemise
Et moi j'ai pris une veste
Dans l'armoire de ton coeur.

J'étais ton Roméo
Tu étais ma Juliette
Dans les films les héros
Paraissaient très honnêtes
C'est ça l'amour
On dit qu'il coule toujours.

Vingt-quatre images très floues
par seconde d'amour fou

Wednesday, October 24, 2007

Tuesday, October 23, 2007

O oceano em que navegamos...

Aqui é o meu país
Nos seios da minha amada
Nos olhos da perdiz
Na lua, na invernada
Nas filhas estradas de vias que vão
Do céu ao coração

Aqui é o meu país
De sonhos em cabimento
Aqui sou Passarim
Que as penas estão no vento
Por isso aprendi a cantar
Voar, voar, voar...

[Ivan Lins & Victor Martins - Aqui É O meu país]




[A decolagem de nosso avião em Orly, Paris]



Ahhh... Paris... tudo começara ali. O encontro, o namoro, o casamento, e as primeiras brigas... eu estava feliz por estar ali, pois apesar de todos os meus traumas terem sidos gerados ali, eu conseguia superá-los. É como domar os maus espíritos numa época em que só existe a fé, como nas cruzadas... os mals gerados pelos traumas e complexos são nossas doenças de hoje, elas não tem remédio a não ser a terapia - método pouco eficaz...

Chegamos pelo RER, tomamos o metropolitano para atingir Orly. Nas margens da Bd. de L'Europe, ficamos instalados numa espelunca de quarta categoria. O quarto ficava num prédio com banheiro central, por andar. Não havia banheiros individuais por apartamento - uma coisa comum aos apartamentos europeus tradicionais. A porta, um tanto puída, era ainda forte; junto aos móveis de jacarandá: um armário alto, de uns 2,10 m; uma biblioteca que reunia alguns exemplares de Proust e Sheakspeare, em francês, claro; e uma escrivanhia, que reunia grandes papeladas de luz, água e condomínio, além do aluguel. Enquanto vistoriava o apartamento com Katherine, Rubens acertava com o conciergie do prédio. Apesar de ter dormido a viagem toda, chegamos às 2h da madrugada no apartamento e estava exausto, não tinha tempo sequer para observar muito o movimentado aeorporto de Orly, dentro de Paris.

Dormi. Amanhã pela manhã, tínhamos que comprar as passagens que Rubens esquecera, o que foi um grande problema. Horas na fila de duas companhias, a brasileira Varig e a francesa Air France. Enquanto Katherine ficava na fila, fui a janela observar o pátio do aeroporto e notar os novíssimos Lockheed L-188 Electra americanos da Varig e Air France; os já quase-aposentados Douglas DC-6 da American Airlines, juntamente com os DC-7 da Pan Am. Não haviam aviões de turbina naquela época, apenas hélices. No máximo, existia o chamado turbo-hélice, uma combinação de hélice e turbina para o vôo. Apenas em outubro desse mesmo ano que a American Airlines faria o primeiro vôo de Paris a Nova Iorque com um dos aparelhos mais modernos e promissores do mundo em termos de aviação, o Boeing 707...

Chega a vez de Katherine na fila. Tomo a frente e peço três passagens num Electra da Varig, com escala em Recife e não no Rio, como queria! Ela discutiu comigo por uns instantes que desejava observar o Rio, nem que fosse por cima da cidade. Não quis. Tinha meus motivos. Sempre gostei de São Paulo. E assim foi. Ficamos esperando nas confortáveis poltronas o sábado inteiro; eu arrumando os papeis na minha pasta, os de Katherine, os de Rubens e Clement sobre minha mulher e sobre Bartolomeu... encontrei aquele papel, li, vi as iniciais novamente, C.V.M., uma carta de Bartolomeu para ela... li rapidamente, pois o nosso vôo, às 1h30 da manhã foi anunciado em inglês...

- Atention, misters to the flight 1807 of Varig Airlines, present yourselves to the gate 7 to check-in, please.

Depois do check-in e da gentileza incomum das brasileiras comissárias, embarcamos nas poltronas..., e tinha cerca de 100 passageiros no vôo, para uma aeronave que comportava 127. O vôo foi tranquilo. Pousamos em Recife.










[Agora, de DC-3 para Sampa]



Tivemos problemas para a escala, foi-nos oferecido um vôo da Varig num DC-3 para São Paulo, aceitamos. O DC-3 foi um dos principais aviões que determinaram a vitória aliada na Segunda Guerra e Katherine sabia disso, ao discursar sobre... lembrou que aquele dia 26 de maio de 1958 era também comemorado o Memorial Day, o dia dos americanos para os mortos durante a Guerra Civil americana, sim a do E o Vento levou...... contou que sua mãe rezava muito para o pai dela estar vivo, rezava e acendia velas nesse dia para ele, depois da vitória dos EUA e Grã-Bretanha sobre a Alemanha Nazista... dormi um pouco durante o vôo.

Rubens continuou a conversa, queria saber mais sobre Katherine, e conseguiu... estava muito interessado nela, desde o primeiro olhar, mas pouco demostrava. Queria se informar antes.

- Nunca conheceu seu pai?!
- Nunca, minha mãe fala muito pouco sobre ele, acredito que tenha me posto num colégio interno a fim de eu não perguntar sobre ele...
- Teve muitos namorados?! Você namora algum deles hoje?!
- Não, não muitos. Sou pacata e recatada. Tive várias decepções. Busquei homens diversos que não me adaptaram, talvez por que não tenham tido os mesmos ideais de meus pais, possivelmente, Leonard, como profundo conhecedor da Psicologia bem disse sobre... - continuei com os meus olhos fechados, fingindo dormir, enquanto ela me seduzia para a conversa...
- Nossa, mas que compicação!
- Sim, minha vida é complicada.
- Não me referia a isso: a nossa vida só é complicada porque nós a complicamos. Aqui nós estamos, tentanto resolver um problema seu, buscar a pessoa que você diz amar... - Rubens era manipulador, sempre gostei de seus jogos de conquistar as minhas amigas...
- Certo, estou tentando acreditar nisso e agradeço desde já o carinho e a atenção dispensada a mim e aos meus objetivos... mas a que se referia, então?!
- A sua mãe, ela deve ser muito complicada...
- Ah, sim, ela é... bastante.
- Ela parece com você?!
- Bastante, deixe-me mostrar... veja nessa foto, com Gene Kelly...
- Uau, ela conheceu Gene?!
- Sim, ela quase dirigiu alguns musicais com ele na Broadway...
- Que bom... como ela se chama mesmo?!
= Christine Mond, adoro ela, chamava ela de CVM; ela chama-me de imperatriz russa...

Nesse momento, eu parei de escutar o que quer que fosse que estavam discutindo, lembrei-me da carta de Bartolomeu a C.M.V, veio-me a mente o texto completo:

"Monte-Carlo, 18 de Maio de 1958

C.V.M.,

Obrigado por enviar minha Princesa, ela é linda..."

Numa outra mensagem, que também li depois, para conferir o que estava pensando, já no toilete da aeronave, dizia:

"Monte-Carlo, 10 de Maio de 1958

Amor,

Você me destrói com essas suas palavras dizendo-me que me quer e não me quer... a única coisa que desejo é estar bem longe, mas também não consigo... tudo para que olho é seu rosto que lembro e isso torna-me fraco diante do maior obstáculo que é você... és minha sereia, és algo me atentando... que me impede de dobrar o Cabo...

Mas a única coisa que desejo é saber da minha Imperatriz russa..."

As datas, as palavras diziam tudo o que suspeitava ao ter ouvido aquelas palavras a respeito do nome da sua mãe e do carinhoso apelido... mesmo antes de conferir essa última carta... eu, fingindo estar dormindo, não consegui fingi minha emoção, uma lágrima escorre do meu rosto, atravessando minhas maçãs, minha barba que crescera depois da fuga do hospital, e pingando, de um dos cabelos de meu cavanhaque, na minha blusa azul social... abrindo uma mancha escura, úmida na minha gola, espalhando-se, umedecendo aquela pequena parte de minha gola... uma gota num mar azul, uma gota num oceano azul... não somos nada...


* * * * * * *

Sunday, October 21, 2007

Banda em fuga

In the town they're searching for us ev'rywhere
but we never will be found...
Band on the run, Band on the run...

[Band on the Run, Paul McCartney]


... ao baixar-me a fim de ler as iniciais ao fim do documento, ouço a voz de Rubens, desesperado, com muitos e muitos papeis entrando pela porta de meu quarto, fugindo da segurança, tropeça no fio que alimentava os aparelhos de medição cardiaca e todos os papeis voam em meu colo... e se misturam... o que poderia ser descoberto com rapidez, agora, Rubens fizera atrasar a minha sabedoria a cerca da verdadeira situação...

- Desculpa, meu amigo, aqui estão mais papeis sobre Emmanuelle, Clement enviou para eu entregar-te, estou fugindo da segurança, estou fora do...
- HORÁRIO DE VISITA. Queria o Sr acompanhar os seguranças!

O guarda do andar falava em tom taxativo para Rubens... que teve de ir. Aquela bagunça demorou muito tempo para ser limpa. Era quase horário de almoço, não tinha horário de visita na quarta-feira. Fiquei só analisando os papeis, tentei catar alguns sobre a cama, forçava um pouco minha flexão em meu ventre e a costela doía ainda, os ligamentos estavam doloridos ainda... continuei a forçá-los, a me estender para pegar os papeis sobre o chão, catei um, que acreditava ser de Bartolomeu, abri, quase com a cara no chão, pelo meu estendimento, e vi as seguintes letras:

"Emmmanuelle,

You're a sex pot girl that I've seen, a perfect bitch that I've got in Cotê D'azur; your stamp bitch, you'll always have all my secrets in the CIA, I'll give all if you be mime, only mime! And tell this to a crickhold husband!

John Smile Newton"


Cai no chão de desgosto de ler aquilo... alguns dos fios que me ligavam aos demais aparelhos se soltaram de meu peito, o que fez chamar a atenção da equipe de plantão de quarta... pensaram que estava indo, sem motivos, mas indo... na realidade, cai em loucura ao ler aquilo, não aturava que minha mulher tivesse me traído ou que um canalha desses falasse disso dela. Talvez seja comum aos homens de boa índole: não querer que suas 'mulheres' sejam insultadas, maltratadas por vagabundos quaisquer... queria saber quem era John Smile... Clement jamais me diria, teria que descobrir sozinho...


* * * * * * *


Passei o restante da quarta sedado e na quinta-feira acordei num divã do Hospital. Enviaram-me um psiquiatra para me analisar, a pedido de Clement. Dissera ele, Clement, que Bartolomeu fora localizado no Brasil, no interior do Estado de São Paulo; mas que não devia me preocupar... Lady Katherine ficara fora da estória, afastaram ela de mim. O meu único contato era Rubens. Apenas ele seria capaz de diblar o front e me fazer conexão com o mundo externo. E ele conseguiu...

Não piorei devido a queda, mas enloqueci, e o Psiquiatra me dizia isso... a sorte era que a minha loucura era a de vingança de pelo menos encontrar John Smile. Passei o dia 22 me revelando para uma pessoa que dizia saber Psicologia. Fingi entender as regras do jogo... contei algumas mentiras.

Rubens, de alguma forma, ficou sabendo do ocorrido, aliás, fora ele que fez a bagunça e deixara mil papeis para serem lidos por mim. A sorte é que consegui colocar os mais importantes numa sacola perto da maca. Rubens conseguiu entrar no meu quarto na noite de quinta... conversamos... expus a minha situação: teria que passar por sessões de terapia por sete dias corridos, o que atrasaria meus planos! Quais?! De encontrar com Bartolomeu e levar Lady Kathy comigo... precisava mais do que nunca da ajuda de Rubens.

- Fugiremos!
- O quê?! Ficou maluco?! Como eu tiro você daqui desses Hospital?!
- Roupa suja...
- Ahã?!
- Há um container de roupa suja que passa por aqui na sexta, amanhã. Você entra disfarçado de funcionário do hospital... está vendo aquela sacola ali?! Pegue-a.
- Uma roupa de funcionário, ou melhor, funcionária?! Todo mundo vai saber que não me chamo Elianne...
- Tire o bordado em casa, sei lá, faça o possível. Entro no container de roupas com você me levando... pegue algumas roupas antes, nos quartos vizinhos, apenas para disfarçar. Despistamos o motorista do carro da lavanderia, e vamos pegar Lady Katherine. Com o carro de serviço, conseguimos atingir Nice em algumas horas e de lá, vamos de trem para Paris. Compre passagens com aquele seu amigo em Paris para o Rio de Janeiro, teremos que fazer escala lá, antes de ir para São Paulo capital...
- Você é louco, completamente... não posso retirar você daqui dessa forma, não dará certo!
- Dará sim, observei todos esses detalhes depois da desgastante sessão de terapia, se não quiser fazer isso por mim, faça por Lady Katherine, ela precisa de ajuda...
- Vou tentar...
- Não tente, faça! Nós temos poucos segundos em vida para decidir boas ações, tome essa como boa e vamos ver o que acontece, faça valer a pena!
- Ok...

Ele tinha saído pela porta, mas tinha entrado por outro quarto, pela janela, a fim de conversar comigo... se meu plano não era inteligente; o dele não era mesmo! Todo mundo devia ver um homem escalando o primeiro andar do Centre Hopitalier de Monaco...

Ficamos combinados assim... arrumei minhas coisas e me preparei para partir amanhã pela manhã... achava que estava bom para caminhadas, talvez menos para corridas, mas amanhã era o dia da verdade...


* * * * * * *


Tudo começou de forma diferente. É impressionante como o que combinamos nunca dá certo! Foi assim. Rubens entra no horário de visita do Hospital, eu estava arrumado e me espanto com tamanha cara de pau de não estar vestido de funcionário!

- O que aconteceu?! - Perguntei.
- Cale-se. - Disse-me. Fechou as persianas para a janela de fora e para o pequeno vidro que dava para o corredor do Hospital. Trocou-se. Entrou no quarto, logo, depois, a enfermeira. Ela diz para me arrumar para a terapia, pois uma cadeira-de-rodas estava a chegar para me levar parao divã do Dr. Hamilton. Aceno positivamente, ela sai da sala. Começo a reclamar de Rubens: "não vai dar certo..."

- Cala a boca, volto logo. - Então, ele traz, no lugar do container, uma cadeira-de-rodas... não sei como, mas ele conseguiu... me carrega até um quarto no térreo, onde o bendito container estava... ele me põe lá. Durante a descida do elevador, uma criança me observa atentamente. Tenho sangue doce para as crianças, tal como aquela vez que estivera em Marselha e na descida do elevador, uma criança tenta falar comigo... dessa vez, ela dá um sorriso e provavelmente achava estranho eu estar naquela cadeira de rodinhas... No dito quarto, enquando Rubens voltava a se trocar para por a roupa de funcionário da lavanderia, atrás da divisória existente no quarto, chega um guarda... eu estava dentro do container, com a tampa fechada, ele abre - eu sabia que ia acontecer isso... ele arregala os olhos quando me vê, se aproxima e fico bem quieto... plaft! acerto o rosto dele em cheio, há tempos não faço isso... tiramos a roupa dele, deixando-o de roupa de baixo... por que?! bem, o que mais poderia ser valioso que ter uma roupa de policial e ainda tê-lo nú... sabiámos que ele colaboraria conosco não indo a lugar nenhum...

Rubens me leva a lavanderia. Chega com o container perto da perua que estava estacionada no subsolo do Hospital, na traseira. O motorista salta da cabina. Abre o container, olha para mim, eu dou um tchau, ele se vira para Rubens e ele o acerta. Colocamos ele no container e esse num quarto escuro do subsolo. Tomamos o veículo e saimos do Hospital.

Não sabia, mas Rubens tinha tudo isso em mente. Conseguiu planejar isso com destreza.

- Planejou tudo isso?!
- Sim, eu planejei... acha-me burro?!
- Não, não, eu não sei porque você sempre me surpreende.
- Claro. A surpresa não advém apenas do fato de subestimarmos as pessoas, mas vem de não esperarmos isso. Às vezes, quando não esperamos, nós mesmos somos os burros de não termos pensado isso antes... - olhou para mim, enquanto dirigia numa risada irônica... Rubens era agora um parceiro e tanto nessa nova aventura.

Saimos do Boulevard Charles III, tomamos o Boulevard Rainier III e finalmente a Rue Grimaldi. Pela Avenue de La Costa, chegamos ao Café Paris, onde ficava o Hotel Paris, onde Lady Katherine estava. Como Rubens preparara tudo, ela apenas aguardou a nossa chegada. Saimos de Mônaco e tomamos La Provençale, a auto-estrada que dava a Nice. Durante o caminho, passamos por uma batida policial, o que deixou-nos muito nervosos dado que não estávamos preparados para uma frustação em nossos planos. Mas nada aconteceu.

Chegamos em Nice e tomamos o trem de superfície em direção a Paris, ainda na sexta-feira; mas só chegamos no sábado. Nosso vôo estava marcado para segunda, dia 26 de maio; mas o amigo de Rubens acabou não marcando nada! No trem, dormi a viagem toda enquanto Rubens tentava algo com aquela pobre Srta, sim, pobre, mal esperava o que o futuro lhe reservava... aquele papel que devia ter separado quando Rubens entrava no meu quarto, tropeçando, e misturando tudo, também definiria tudo... pena não ter aberto ele antes...

Mas pouco importava, éramos um bando em fuga, era a aventura de nossas vidas ali acontecendo, não tínhamos The Beatles nem o Sir Paul McCartney antes do álbum de 1973, mas essa era a música nossa...


Stuck inside these four walls, sent inside forever,
Never seeing no one nice again like you,
Mama you, mama you.
If I ever get out of here,
Thought of giving it all away
To a registered charity.
All I need is a pint a day
If I ever get out of here.

Well, the rain exploded with a mighty crash as we fell into the sun,
And the first one said to the second one there I hope youre having fun.
Band on the run, band on the run.
And the jailer man and sailor sam were searching every one

For the band on the run, band on the run, band on the run, band on the run

Well, the undertaker drew a heavy sigh seeing no one else had come,
And a bell was ringing in the village square for the rabbits on the run.
Band on the run, band on the run.
And the jailer man and sailor sam, were searching every one

For the band on the run, band on the run, band on the run, band on the run

Well, the night was falling as the desert world began to settle down.
In the town theyre searching for us every where, but we never w ill be found.
Band on the run, band on the run

And the county judge, who held a grudge
Will search for evermore
For the band on the run, band on the run, band on the run, band on the run

[Band on the Run, Paul McCartney & The Wings, do álbum de mesmo nome, 1973]




[Mapa de Mônaco e o Hotel Paris. A fuga estava armada por Rubens. Guardei esse mapa mesmo não vendo a corrida e ganhado o prêmio, o que serviu para comprar as passagens da Air France para o Brasil. Pelo menos, era essa a expectativa... Fonte: Google Maps]